quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Dupla JoJu inaugura a bandalheira na campanha para 2018

   Presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial, colocando a instituição pública a serviço de máquina política partidária. Um acinte!

       Depois de um estratégico passeio pelo Tribunal de Contas do Estado de SC, onde aumentou seu círculo de poder ampliando favores, Júlio Garcia, ex-diretor do Besc, ex-deputado, ex-presidente da Alesc e ex-conselheiro do Tribunal de Contas, volta à vida política com sede. Quer ser deputado novamente e para isso se juntou com o deputado federal João Rodrigues do PSD.
     Pela forma agressiva e desavergonhada que já expôs, não está para brincadeira. O atropelador "estilo Júlio Garcia" está de volta. 
   Modelito plagiado do ex-governador peemedebista, Paulo Afonso, Júlio combina favores institucionais com atos políticos partidários sempre usando a máquina e o dinheiro público. Paulo Afonso amargou um processo e condenação por uso indevido da máquina pública e abuso de autoridade, por tanto descaramento.
   O esquema Paulo Afonso funcionava da seguinte maneira: em um primeiro momento atos administrativos com distribuição de cheques, sementes, assinava convênios, entregava veículos para a segurança (que não pagou). 
   Em um segundo momento: abrem-se as cortinas e, no mesmo local e com o mesmo público, realizava um comício político partidário buscando a reeleição ao governo, em 1998.
    Adorador da "estratégia Paulo Afonso",  Júlio parece seguir no mesmo caminho. O convite da Fundação Catarinense de Educação Especial para uma "confraternização", na cidade de Braço do Norte, coincide com local, dia e horário (diferença de apenas 30 minutos antes) do convite do João Rodrigues e do Júlio Garcia para outra "confraternização", esta de cunho político partidário, o encontro regional do PSD.
   
O gato de Colombo

   A exumação de cadáver do cemitério político que é o Tribunal de Contas, aliás, o primeiro caso na história da política catarinense, faria parte de uma estratégia do governador Raimundo Colombo de usar Júlio Garcia para manter a tripaliança, com PSD/PMDB/PSDB e, por tabela, afastar Gerlson Merísio do embate eleitoral, já que este fechou com o PP, eliminando o PMDB da parceria. Em troca, Colombo atendeu o pedido de colocar o deputado pupilo de Júlio, Ney Ascari, em seu lugar no Tribunal de Contas.



    É cobra comendo cobra!
     A convocação de João Rodrigues, segundo ele mesmo falou à imprensa, será para apresentar Júlio Garcia como pré-candidato à Assembléia Legislativa. Na verdade, João Rodrigues, com esse ato, se alia a Júlio, para usufruir do seu poder e alijar Gelson Merísio da cabeça de chapa ao governo pelo PSD.
  
   Uso político de instituição
   A convocação para uma "confraternização" - feita pelo presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial (Instituição pública), Eliton Verardi Dutra - para mesmo local, data e horário da "confraternização" política da dupla JoJu, não é mera coincidência. Evidencia o uso político de uma instituição pública (Apae), por seu presidente, em favorecimento de Júlio Garcia, autor da Lei 13.633/2005, que garantiu às Apaes de Santa Catarina apoio decisivo do Poder Público. As Apaes, anteriormente, dependiam exclusivamente de doações e da colaboração de voluntários.

    
   É o Júlio cobrando a lei que favoreceu as entidades.


Explicação:
Presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial, Eliton Verardi, por mensagem no FB agorinha mesmo, me diz que tudo não passou de um engano da "secretária".
A mensagem:

Sergio boa tarde É o Eliton presidente da fcee
Sobre o convite
Houve uma confusão em relação a datas e eventos por parte de uma gerência aqui na fcee
O evento e dia 30 no teatro Pedro Ivo e não em braço do norte
Pode ter certeza que a minha intenção jamais seria e será de fazer política com a causa
Meu trabalho aqui está sendo muito bom para evolução enquanto pessoa
Tenho trabalhado inclusive nos finais de semana retratando nossos alunos nos muros da instituição com um trabalho maravilhoso com as familias (sic)
Me desculpe pelo erro administrativo, afinal vc também é membro da sociedade a qual devo satisfação enquanto gestor público
Mas tenho minha consciência tranquila...acabei de distribuir 7.8 mi para todas as apaes de sc
Fiz minha obrigação buscando um recurso inesperado para todas as instituições
E tenho certeza que um dia Deus talvez me retorne algo bom
Mas não fiz e nem faço esperando retorno....apenas faço e deito todas as noites com a consciência tranquila que tenho trabalhado muito aquii
Te convido a vir conhecer nossa instituição e ver nossa obrigação sendo cumprida
Me desculpe mais uma vez...já enviei retificação as 4 ou 5 instituições que receberam
E chamei minha equipe pra falar tambem
 

STF tenta diminuir privilégios de empregados do povo

“A restrição ao foro passará, talvez com mais votos do que se imagina - no máximo com dois contrários. Só há risco de um novo pedido de vista”. 

    por Matheus Leitão
    Se não houver um pedido de vista nesta quinta-feira (23), o Supremo Tribunal Federal (STF) vai aprovar a restrição do alcance do foro privilegiado para políticos, um avanço contra a impunidade.
    Prevalecerá o entendimento do ministro Luís Roberto Barroso, em sessão prevista para o início da tarde, de que políticos só devem ter direito a uma corte especial caso o crime do qual forem acusados tiver sido cometido no exercício do mandato ou em razão dele.
    Os supostos delitos praticados por parlamentares e ministros antes da posse, e sem relação com o exercício do cargo, seriam levados à primeira instância da Justiça, evitando a prescrição das ações.
    Ministros ouvidos pelo Blog afirmaram que a restrição ao foro, que pode desafogar o STF e reduzir em até 90% os processos e investigações criminais, só não ocorrerá se houver um pedido de vista. 
   Leia matéria do G1. Beba na fonte.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O moralista apartidário

O tal que não faz política é este aqui
   Segundo a Folha de São Paulo, o juiz Sérgio Moro, teria sido vaiado, ontem à noite, por meia dúzia de procuradores. 

   O organizador do protesto foi Guilherme Rodrigues, procurador de Fortaleza e presidente da ANPM entre 2012 e 2014.
    

   Ele disse à reportagem:

   “Usar a toga para fazer política é algo inadmissível, e é isso que Moro faz”. 

 "Eles" não desistem!

               

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Casan joga merda no Centro Histórico

   Desde 5º feira da semana passada que uma tampa da rede de esgotos da Casan, na esquina das ruas Nunes Machado e  Victor Meirelles, no centro histórico de Florianópolis, transborda e despeja dejetos e água podre rua abaixo.
   O cheiro é insuportável e invade toda a região de comércio e de prédios públicos como o do Ministério da Fazenda, bem em frente à porquidão.
   Comerciantes e moradores da região não pararam de ligar para o serviço de atendimento da Casan e nada aconteceu até agora.
   Hoje, um telefonema pedindo urgência no atendimento, teve a seguinte resposta: 
- O atendimento será feito em um prazo de cinco dias úteis. Tem que esperar!

   Há poucas semanas, o diretor-presidente da Casan, Valter Galina (PMDB), juntamente com o "triste" prefeito da capital, anunciaram o lançamento de edital para despoluição da orla da Beira-mar Norte, em Florianópolis.
   A bobagem, o factóide, teve ampla cobertura da imprensa local. Ou foi para ocupar espaço na mídia ou para ganhar dinheiro no projeto, aliás, artimanha comum nos dias de hoje. Se ganha dinheiro no projeto.
 
    Então fica assim, o Valter Galina promete despoluir a Baia Norte e a Casan joga merda no Centro Histórico!

   Milhafre!!!!!!!


sábado, 18 de novembro de 2017

O FANTÁSTICO MUNDO DE ANDRES CARNE DE RES

   A 30 kilômetros de Bogotá, à beira da estrada principal da pequena localidade de Chía, está a casa de Andrés Jaramillo e Stella Ramírez. 
   Parece que estou fazendo comercial de um restaurante colombiano, né? 
   Não, não é um comercial, é apenas um relato de uma experiência "sensorial" das mais interessantes que já passei.
   Quando estacionamos o carro em frente aquela cabana (enorme) de madeira com teto baixo, coberto com telhas e o imponente nome ANDRÉS CARNE DE RES, pulsando num luminoso colorido, fomos recebidos por um porteiro que nos encaminhou por um labirinto de pequenas escadas, passarelas de madeira com paredes e teto totalmente cobertos de...tudo que se possa imaginar. 
   Um mundo mágico de manequins, acordeões e máquinas de escrever a conviver lado a lado com corações vermelhos que piscam a palavra amor, alegria, azar, sal e outras vocábulos impensáveis em um restaurante.
   A música caribenha, tocada ao vivo, começa a invadir os teus sentidos e aumenta à medida em que te aproximas da "praça" principal, onde crianças brincam com recreadoras de perucas coloridas que lembram as belas replicantes do filme Blade Runer.
Finalmente, depois de conduzidos por um mar de objetos decorativos e móveis de madeira rústica, somos instalados em uma grande mesa redonda em baixo de um gaiola de arame com 4 manequins voadores. 
Com a Gisa pagando o Mico!
   O cheiro da carne assando na brasa invade os meus sentidos e quando dou por mim já estou vestido com uma faixa com as cores da Colômbia onde está escrito Que te vaya bien!
   Ao nosso lado 4 músicos atacam uma salsa de boas vindas e atiram papel colorido picado para cima que retorna sobre nossas cabeças. Depois de anunciada nossa presença, todo o restaurante aplaude.

   Pronto, está pago o mico!


 Bem, aí começa uma outra experiência incrível. 
- Hola, mi nombre es Alexandra y voy a cuidar de hustedes.
Disse a jovem universitária que ficou à nossa disposição durante todo o almoço. Os atendentes são todos estudantes universitários, alegres, simpáticos e atenciosos.

O  Cardápio 
 bem, o cardápio é outro show de cores e grafismo anárquico, inteligente e de muito bom gosto. De saladas, café da manhã, sucos, todas as bebidas do mundo, papas, arepas, mazorcas, pimientos, chorizos, ceviches, consomés, chatas, frutos do mar e finalmente as carnes!

    Descobri lá dentro um prato especial da casa: Lomo al trapo. 
   Traduzido seria Lombo no pano. Lombo de gado que aqui seria o entrecot. Falei com um assador - são vários plazas com parrillas imensas - e perguntei como era feito o tal Lomo al Trapo.
   - Dificílimo, me disse. - Veni comigo, falou e saiu em direção a outro balcão de madeira onde havia um recipiente com água e vários panos, de linho retangulares, de molho.
Pegou um deles, colocou sobre a bancada, espalhou por cima um punhado de sal fino e outro de orégano e logo colocou uma peça de lomo de umas 350gr. Enrolou a carne, fez um pacote e seguiu adiante, eu atrás, até um grande braseiro onde jogou o pacote direto em cima das brasas. Sete minutos depois virou o pacote e mais sete minutos depois retirou do braseiro.
   Bateu com a faca na trouxa e o pano se quebrou revelando uma carne assada por fora e sanguinolenta por dentro. Um sabor maravilhoso. Exótico, diferente mas próximo para um carnívoro dos pampas como eu. Um show!

Três "pacotes" de Lomo al Trapo nas brasas

   Essa foi uma das experiências mais interessantes que tive na Colômbia!

   Fora o alho!




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

MONIZ BANDEIRA


por Emanuel Medeiros Vieira


   
Com Brizola, no exílio
Perdemos Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira.

Mais ainda: a intelectualidade internacional sofreu uma considerável perda.
   Professor universitário, cientista político pela USP (Universidade de São Paulo), historiador, e também, especialista em Política Exterior do Brasil, o pensador baiano estava radicado na Alemanha há vários anos.

   Mais que isso: lutou, em toda a sua vida, para a construção de um modelo essencialmente nacional para o nosso país.
   Sempre batalhou para que o Brasil não se apequenasse.
   Sonhava com um país altivo, desenvolvido e justo. Aspirava um país soberano, que fosse protagonista, e não mero grão de areia na imensa praia global.
   Suas obras são referências na ciência política e na sociologia, como avaliou Luiz Lasserre. Entre elas, estão “A Desordem Social (2016), A Segunda Guerra Fria (2013), “Formação do Império Americano (2005), “Lênin – Vida e Obra (1978) e “O Ano Vermelho” –a Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil”  (1967) – as duas últimas foram relançadas neste ano em função do centenário da Revolução Russa.
   Visceral, orgânico, acreditava profundamente no que dizia em palestras e conferências e no que escrevia.
   Dizer que um pensador, acreditava profundamente no que falava e escrevia, pode parecer um lugar-comum ou até redundância, mas faço tal observação, porque muitos, no fundo, não acreditam no que dizem ou escrevem.
   “Moniz Bandeira tem um posicionamento marcante em favor da política cultural, da defesa da liberdade de expressão e da nacionalidade brasileira”, afirmou o então presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho, quando o nome do pensador baiano foi indicado pela UBE (para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura) por seu “trabalho como intelectual que vem pensando o Brasil há mais de 50 anos”.


(Salvador, Bairro da Graça, novembro de 2017)

Comentário: Laércio deixou um novo comentário sobre a sua postagem.
Em 1976, eu mais o presidente do então equivalente ao DCE da UFPR, em Curitiba, fomos à reitoria comunicar que faríamos uma atividade para os estudantes no campus da Rua XV, onde ficava a sede da Reitoria. O chefe de gabinete, ao ouvir o nome do palestrante, arregalou os olhos e comentou:
- Se vocês escolherem um nome de mais respeito, uma pessoa da academia ou um político responsável, nós podemos ajudar na organização e no patrocínio, mas, para este que vocês estão escolhendo, não temos qualquer condição de aprovar, muito menos de ajudar.
 
   O nome do palestrante era Moniz Bandeira. 

Cada povo tem o escravo que merece...

Temer e Luislinda: Isonomia na escravidão
   Temer é um escravo ”Tem muita gente no Brasil que trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo”, diz o comercial encomendado pelo governo para defender a reforma previdenciária.
   Josias de Souza nota o cinismo de Michel Temer, critica privilégios dos quais ele próprio é beneficiário.

“Sua reforma propõe que a idade mínima para a aposentadoria dos homens seja 65 anos. Em 1996, aos 55 anos, Temer requereu sua aposentadoria como promotor do Estado de São Paulo. Recebe há mais de 20 anos uma pensão que, hoje, soma R$ 45 mil. A cifra precisa ser rebaixada para não ultrapassar o teto do funcionalismo, regulado pelos vencimentos dos ministros do SFT: R$ 33,7 mil”.
Assim como Luislinda Valois, Michel Temer é um escravo.      (do Antagonistas)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

PARTINDO – PARTINDO? (Pistoleiro do Entardecer)

Não é poema, é um pouco de prosa, tem de tudo – apenas um “discurso” (Despedida?)
Emanuel Medeiros Vieira

“E no meio do inverno descobri que havia um verão invencível dentro de mim”
                                           (Albert Camus)

Pipoca, pitanga, goiaba, jabuticaba, tainha, algodão-doce, o mercado da minha ilha mítica ao amanhecer, – e quem se lembra de uma fruta chamada “abricó” – ancestral (pelo menos, em relação aos condomínios que vieram depois)
Mamãe me leva – aquele domingo azul está aqui, “pula” dentro de mim – regata na Baía Sul, eu tinha sete anos, roupa de “marinheiro”
amor foi relíquia/museu privado/cheiro de mofo
cupim que nada poupa, naftalina no guarda-roupa,fugaz, finito, fragmentado, paixão  vira irmandade ou guerra civil doméstica resignação irrestrita, variado repertório – o  da morte
Não se enganem: nada de heroico ou napoleônico há na morte – frases de efeito das novelas, pensamentos melosos, nada – A morte é o Nada – dizia o Larry, agnóstico professor de Filosofia no Primeiro Ano do Curso Clássico – o cheiro é de álcool, suor, morfina, lençol com gotas de sangue – a veia, mais uma vez, está pronta para a agulha, e o soro não acaba nunca
mais  uma agulha na veia, o termômetro, o ruído da hora do almoço no e do jantar no hospital
(sempre cedo), canja – “Está na hora do remédio”, comunica a enfermeira
está na hora de tudo, no câncer, alguns remédios têm efeitos colaterais difíceis – eu já sabia disso no dia do diagnóstico (30 de dezembro de 2014): deixam a vista embaralhada, nublada – e tantos outros (evite a tentação da autopiedade, da lamúria, do vitimismo)  e, às vezes, vem uma espécie de cegueira –  voz que disse “evite”, gritou com raiva: “Para que serviu a Operação Bandeirantes (OBAN) e o Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS)?
Eu queria dizer para a voz: naquela ocasião, eu só tinha 25 anos e, no dia da descoberta do tumor no pâncreas, com metástase no fígado, em três meses, eu faria 70
Só consegui dizer para dentro: cada luto é um luto
O fim do mundo é depois de amanhã
chega um padre: “Todos os teus filhos foram batizados?”, ele pergunta
tenho dois enteados, um filho do coração e a minha filha – o do “coração” não foi
Brinco: “Ainda bem que a Santa Madre acabou com o limbo
PARA DENTRO, EU DISSE: NO AUGE DA DITADURA, EU TINHA MAIS FORÇA. Não falo só do corpo que segue a sua jornada, mas do Tempo, que desagrega e apodrece tudo. Eu estou voltando aos dias de outrora. Falo de um outro tipo de “cansaço” (desencanto, aporrinhação, tristeza?) – a fadiga de ver a ruína de um país e a decrepitude moral de tantas pessoas e – o que sonhei e não aconteceu. Não foi um “gibi”, uma festança a minha vida, na qual os velhacos e patifes são sempre punidos (antigas histórias infantis – eu sei, na vida não é assim).
Cuidado com o tom panfletário e piegas, adverte o promotor interno – Cansaço das coisas que sonhei – românticas? – e que nunca aconteceram
“Você não entendeu”, proclama uma voz que não reconheço
Esse país sempre foi de poucos proprietários.
Fiquei calado, o padre tinha outros pacientes para atender – era o capelão do hospital
O senhor brinca e está morrendo” – ele havia me dito antes da despedida
Não quer se confessar?”, havia perguntado, e eu respondi: “Passei a minha vida me confessando...” Estou morrendo.
Lembrei-me do mestre Machado de Assis, no seu romance “Quincas Borba”: “Ao vencido, ódio ou compaixão, ao vencedor, as batatas
Ao vencedor, as batatas!”, gritei
“E as cinzas do Purgatório, padre?” (recordando-me do livro de Otto Maria Carpeaux – sem “as” – “Cinzas do Purgatório”
“O senhor é um galhofeiro”, ele me diz – mas sorri
antes de ser internado, implorei à família: nada de autoajuda, nada de milagres, nada de padre roqueiro, nada de consolos vãos – queria um pároco de aldeia, simples, anônimo, quem sabe, um missionário da Amazônia, nunca um sacerdote que adorasse aparecer no “Fantástico”ou em programas de auditório, como certos padres que camuflam (pensam que enganam) a vasta vaidade.
Não quero ficar ligado só por fios ou máquina ou vegetando em uma cama (mesmo “lúcido”) – Lúcido? Desliguem tudo!!!
Desliguem tudo – deixei por escrito.
Pelos menos, perto da morte, me deixem ser plenamente sincero
Clarice, minha filha, que “trabalha” com a noção do Perdão, tem compaixão autêntica e é muito melhor do que o seu pai, pede que eu perdoe algumas pessoas antes de partir (está chegando a hora) – umas pústulas humanas, uns dejetos morais – que não perdoei
 está na hora de perdoar? Há um momento para o perdão–perdão verdadeiro, visceral, não o de “mentirinha”, hipócrita, fácil de conceder (só de “boca”)?
Torturadores? Nunca terão o meu perdão. E  nestas plagas da impunidade, eles nunca foram julgados e condenados.
Esclareço: ela não apelou para que eu perdoasse torturadores
Se houver inferno, por justiça, eles precisam estar lá. Um diabinho ri.
E o mundo que irias mudar?” Ele me olha, eu fico quieto, ele insiste:
O mundo está justo e bom como querias?” Silêncio
E porque Ele permite tanto sofrimento para ti: tortura, infecção hospitalar, câncer bravo, dores tenebrosas?
Continuo em silêncio – Nada de nada
Não me venham com a frase preferida: “O sofrimento é um mistério
O “sofrimento dói”, a dor física só humilha
Se Deus Não Estava nos campos de concentração nazistas, porque estaria preocupado em salvar um modesto ilhéu – esse pobre homem do Desterro – num hospital na primeira capital deste país de merda?  Acho que não fui feliz em escrever “merda” – iria falar “injusto”, “desigual”, “obsceno”, “calhorda”etc., mas pareceria discurso parlamentar.
Ele jogou fora o passaporte brasileiro. Sejamos sinceros: o bom Deus tinha razão
Sim: estou morrendo – Por que repetir?
A morte sempre ganha: tem mais tempo – Estou morrendo.
O Passado é um País Estrangeiro.
E uma enfermeira diz que seu horário começa às 7h00 e termina às 19h00 – e que ganha pouco.
Mesmo que esteja pensando em Bach e Mozart, não há alívio.
Lembrei-me do que dizia mamãe: “Pegue essa cruz e me segue”, repetindo Jesus.
Sim, minha mãe: eu a carreguei.
O Cristo dela não era o da prosperidade e dos enganadores, mas o da Compaixão Verdadeira, dos humilhados e ofendidos da Terra, dos “pequenos” – sempre pequenos. Papai parecia São Francisco – ele era da Ordem Terceira do amado santo. Mamãe seria a sua Clara .
O padre diz que é bom ter o consolo do Céu.
Já veio alguém de “lá” para contar?
A vida não termina aqui” – Lembro-me de novo dos meus pais
(Confesso –  sentimental que sou: queria que eles estivessem ao meu lado.)
Perdi no caminho, não só o cajado, o sapato, o cantil – e a Fé? Creio que tenho um pouco. Ou não? Ou será um álibi para suportar a dor?
E o padre vai embora – Mas em homenagem aos meus pais, antes rezamos (de mãos dadas) o Pai Nosso
Quero paz – a dor deixa-me intolerante, irritadiço.
(E havia trazido “O Barco Embriagado” e outros poemas de Arthur Rimbaud, edição caindo aos pedaços, para tentar a tradução que queria fazer desde a faculdade, e que nunca terminei  – as outras eram bem melhores.)
A pimenta não está nos olhos de muitos que dizem confortar e despejam um caminhão de lugares-comuns, quando não, hipocrisia
Mas há os autênticos – amo-os
É claro: não sei driblar a morte (ninguém sabe) – a “hora” chegará para todos
Escuto Mozart – mamãe frita uma tainha no fogão de lenha
Ouço também a “Quarta Sinfonia de Mahler” (Gustav Mahler –1860/1911) – que explode “como se a lua caísse no chão”, segundo o “mago–anjo” Mário Quintana.
Consigo sorrir. Sempre recebemos mais do que imaginávamos (na infância)

É claro que valeu a pena


(Salvador, novembro de 2017).

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Je t'aime... moi non plus!


   

   Os gemidos e suspiros sensuais - extremamente sensuais - da Jane Birkin neste momento, na Kibelandia, me jogam no túnel do tempo e lembro de situações bizarras acontecidas na minha casa, em Quaraí. 
   Anos 60, início dos 70 por aí, caiu na minha mão um compacto simples com a famosa música do francês Serge Gainsbourg "interpretada" eroticamente pela sua namorada Jane Birkin: Je t'aime... moi non plus!

   Proibidassa, banida de todas as rádios do mundo ocidental e denunciada publicamente pelo Vaticano, Je t'aime era o primeiro orgasmo feminino representado de forma explícita em uma canção. Mesmo em meio a revolução sexual dos anos 60, a música causa um polêmica mundial.

   De posse de tão poderoso instrumento revolucionário, eu e meu irmão não sabíamos onde esconder e quando escutar na eletrola Telefunken que ficava na sala de casa. 
Bem, foi para baixo do colchão, junto com as revistas de quadrinhos que também eram proibidas em casa. Esperamos um dia que a mãe havia saido e colocamos o single na eletrola.
   Foi fantástico ouvir a Jane Birkin. Embora não entendêssemos francês - nem precisava - foi um orgasmo! Mas não de orgasmo mesmo, que nem conhecíamos direito como era. O momento todo, a situação, tudo foi um orgasmo!  
   O proibido, o escondido e os gemidos daquela voz feminina maravilhosa que me fazia imaginar uma mulher magra, linda de cabelos lisos e compridos, não loira. Por incrível que pareça, mais tarde, anos depois, quando conheci a Jane, por fotos, a imagem batia com a que eu havia imaginado lá na sala de casa em Quaraí.  


   Não lembro como e nem porque o compacto foi confiscado pela mãe. Não nos deu muita explicação e nem pedimos. Sabíamos que estávamos fazendo algo "ilegal", clandestino. Cometendo um pecado. Afinal, os pais haviam sido alertados pelo padre da cidade sobre o perigo moral que rondava a nossa pequena sociedade.     
   Deixamos por isso mesmo.
   Agora a Jane geme e sussurra aqui no aparelho de som da Kibelândia e ninguém nem ao menos percebe. 
   Eu percebi...o orgasmo sem amor!

Emanuel

Amigo Sérgio
   Segue um poema que um velho amigo, desde 1964 - das lutas estudantis ainda do "Secundário"- escreveu, a partir do meu "Caronte", homenageando-me com o título do texto.
Abração do Emanuel



EMANUEL
de Eduardo Dutra Aydos


Pó e pedra, carne e osso, lenho e  terra.
É caminho desbravado... tuas pisadas na relva, 
e nas folhas secas da mata fechada,

Força e vontade, sonhos e virtudes, riscando no ar. 
Vento, nuvem densa de vida e poder...
tua escritura, perene lembrança.

Ternura e paixão...água mansa e turbulenta
Fluídos da alma em penetração profunda.
Resiliente verdade... tua humana compaixão.

Dignidade e lucidez... na travessia de fogo. 
Um raio partiu carvalho, e se desfez ao rés do chão.
Deixou eco Giramundo na passagem do trovão. 

Aquele que parte retorna, os que ficam vão partir.
Em cada porto de mar, o menino velho à espreita, 
registra o ciclo do tempo: vai repuxo, vem maré...

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Abandonados pelo poder público empresários do centro histórico vão limpar ruas e prédios.


   Por iniciativa do CDL e comerciantes do Centro Histórico Leste de Florianópolis, no próximo dia 15 de novembro será feita uma grande faxina com pintura de fachadas, lavação de toldos e limpeza das ruas.
   Os comerciantes da região, que ainda resistem à crise econômica, enfrentam total descaso do poder público com os prédios históricos e com a segurança do entorno no centro de Florianópolis.
   O Mutirão Voluntário de Limpeza do Centro Histórico Leste é uma iniciativa exclusiva do CDL e Núcleo do Centro Histórico. 
   Da prefeitura de Florianópolis, apenas o logotipo de apoio impresso no folder.