quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Demétrio Magnoli e Mino Carta, o mesmo combate


   Por Janer Cristaldo

   Demétrio Magnoli, normalmente autor de artigos lúcidos e independentes, revelou-se um desastre em sua estréia como colunista da Folha de São Paulo.
   Há uma boa década venho falando naquilo que os franceses chamam de glissement idéologique. O conceito de esquerda sempre muda, à medida em que se corrompe. A direita é o repositório de todos os males do mundo, inclusive os das esquerdas. Pois quando as esquerdas cometem crimes – ou “erros”, como preferem seus líderes – é que não eram de esquerda, mas de direita.
   Ainda há pouco voltei ao tema e é bom que volte mais vezes, pois cá nestas terras pátrias ainda não se tem noção clara desta safadeza das esquerdas. Convivendo há mais tempo e mais de perto com os comunistas, os franceses logo perceberam o truque. 
   Magnoli, em seu artigo, caiu no lugar comum. Para o cronista, os petistas financiaram com dinheiro público a bolha Eike Batista. Na fogueira do Império X, queimam-se US$ 5,2 bilhões do povo brasileiro. "O BNDES para os altos empresários; o mercado para os demais": eis o estandarte do capitalismo de Estado lulopetista. 
   “Anteontem, Lula elogiou o "planejamento de longo prazo" de Geisel; ontem, sentou-se no helicóptero de Eike para articular um expediente de salvamento do megaempresário de estimação. O lobista do capital espectral é "de direita"; eu, não. 
   “Eles são fetichistas: adoram estatais de energia e telecomunicações, chaves mágicas do castelo das altas finanças. Mas não contemplam a hipótese de criar empresas públicas destinadas a prestar serviços essenciais à população.
   “Eles são corporativistas. No governo, modernizaram a CLT varguista, um híbrido do salazarismo com o fascismo italiano, para integrar as centrais sindicais ao aparato do sindicalismo estatal. Eles são restauracionistas. Na década do lulismo, inflaram com seu sopro os cadáveres políticos de Sarney, Calheiros, Collor e Maluf, oferecendo-lhes uma segunda vida. O PT converteu-se no esteio de um sistema político hostil ao interesse público: a concha que protege uma elite patrimonialista. "De direita"? Isso são eles.
   Leia artigo completo. Beba na fonte.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

DIA DA DEMOCRACIA

   Por Jaison Barreto

   A data da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, é considerada o ponto de partida para a retomada do processo democrático no Brasil.
   Por isso, o dia 25 DE OUTUBRO, é considerado por muitos o DIA da DEMOCRACIA.
   As redes sociais podem decididamente ajudar e estão ajudando a transformar o Brasil e o mundo.
   Apesar de todos os riscos do “mau caratismo” e da desconfiança que nós temos pelos episódios que estão ocorrendo, continuemos participando, falando com sinceridade, criando amizades e um mundo melhor.
   Estamos atravessando um período interessante do mundo moderno contemporâneo.
   Quando o nosso Presidente Ministro do STF Joaquim Barbosa ousa, ouvindo até mesmo outros magistrados, dizer que a Justiça Brasileira é confusa é importante, um gesto valente, corajoso.
  Pouco importa as incompreensões.
  Coisa igual faz o Papa Francisco, de uma instituição secular como a Igreja Católica, quebrando tabus e falando franco, usando termos como “Vaticanocracia”, e demitindo bispos deslumbrados, como o bispo alemão irresponsável.
   É o mundo mudando.
   Que essas coisas ou cousas, possam ser aprendidas e apreendidas por nós todos e que a gente, independente de pequenezas, façamos a nossa parte.
   Continuaremos amigos e faremos das redes sociais um instrumento de discussões honestas, esclarecedoras e por isso libertária.
   Sujeitas à chuvas e trovoadas;
   · Voto, infelizmente nem sempre é atestado de honradez ou certificado de competência.
Os exemplos estão aí, desnecessários citá-los.
   · Sigla partidária não é carimbo da Vigilância Sanitária. São heterogêneas. Vai desde a Madre Paulina até o Fernandinho beira-mar. Vamos regenera-las.
   · Algumas de nossas melhores ideias andam também infelizmente pela boca de alguns de nossos piores homens. Daí a confusão em distingui-los.
   · Eleição não é doença é remédio.
   · Carteira de identidade, os suínos, os bovinos e até os galináceos tem (chip). Titulo de eleitor só os cidadãos.Exige inteligência, raciocínio, livre arbítrio, responsabilidade social.
   · Coletivo não é só sinônimo de ônibus. Pensar o coletivo é ser cidadão, é ser solidário.  
    · Se interessar pela politica não é só exercer um direito, é uma obrigação de cidadania.
Embora não pareça, os apátridas, os traficantes, os criminosos se preocupam, e muito.  
    · Lobista é uma coisa, deputado é outra. Deputado lobista desserve a democracia. São agentes da corrupção. O Brasil precisa se livrar deles.
   · A Reforma Tributaria não sai, não acontece, porque a falta dela é que mantém a vassalagem, a subserviência. Transforma o direto em um favor.Temos que fazê-la.
   · Essas observações fazem parte do contexto da democracia. Em verdade, se constituem numa homenagem simples ao jornalista Herzog.
Pensemos a respeito.

Qualquer dia tem mais.

Saudações democráticas.

domingo, 27 de outubro de 2013

Foto de domingo

Do Milton Ostetto


Paixão por encrencas

A história não autorizada da empresária Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso e porta-voz do grupo Procure Saber

   Por Carla Knoplech e Sofia Cerqueira (Veja Rio)
   Empresária, produtora e ex-mulher de Caetano Veloso, Paula Lavigne se notabilizou pela atuação nos bastidores do showbiz. Nas quase duas décadas que ficou casada, geriu com mão de ferro a carreira e contratos do músico baiano e transformou o patrimônio de ambos em um pequeno império. É sócia da Uns Produções e Filmes (substituta da antiga Natasha Records) e, além de representar até hoje o ex-marido, participou da produção de campeões de bilheteria do cinema nacional como 2 Filhos de Francisco, O Bem Amado e Lisbela e o Prisioneiro. Nas últimas semanas, o que se viu foi uma guinada em sua trajetória.   De coadjuvante no mundo da cultura e entretenimento, ela virou protagonista ao assumir o papel de porta-voz da Procure Saber, agremiação que reúne medalhões da música popular brasileira (entre eles Caetano, Chico Buarque, Roberto Carlos e Gilberto Gil), e defender a obrigatoriedade de autorização a biografias — um ataque à liberdade de expressão e uma forma mal disfarçada de censura. Acostumada a polêmicas, desta vez ela se viu no meio de uma tormenta, disparando com a habitual agressividade algumas grosserias na defesa apaixonada da sua cruzada. Tamanha entrega não é novidade para Paula, dona de uma trajetória que impressiona pela maneira aguerrida com que toca seus negócios e pela colossal capacidade de se envolver em barracos e confusões. Nas próximas páginas, VEJA RIO conta um pouco da história dessa carioca temperamental de 44 anos, agora no olho do furacão. A equipe da revista debruçouse sobre arquivos de jornais, entrevistas concedidas por Paula (e não refutadas) e ouviu mais de trinta pessoas próximas à empresária. Procurada, ela não quis falar.
   Leia a biografia não autorizada completa. Beba na fonte.

Jazz e música medieval na Ponte Carlo. Um show!



   Este vídeo foi gravado no dia 1º de outubro na fantástica Ponte Carlo, em Praga, capital da República Checa. São 520 metros que ligam Malá Strana à Cidade Velha, um show de beleza com estilos arquitetônicos que vão do gótico ao barroco. 
   Considerada a ponte mais bonita do mundo à frente da Pont Neuf, em Paris e da gigante Golden Gate, em São Francisco, a Ponte Carlo foi construida em 1357 no lugar da antiga Ponte Judite, destruída por uma enchente em 1342. Ladeada por 30 estátuas de santos a Ponte Carlos tem um enorme Crucifixo que por quase 100 anos foi a única obra a adorna-la.
   Toda essa beleza sobre o rio Vltava faz a alegria de turistas que lotam diariamente a ponte em meio a pintores, caricaturistas e grupos musicais que tocam de jazz a música medieval.
   Mais sobre essa cidade fantástica em PRAGA, UMA CIDADE PARA NÃO ESQUECER

Cidade Velha vista da Ponte Carlo. (Foto Cangablog)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Apagão: sou espírito de luz!

   No dia 29 de outubro vai fazer 10 anos do apagão que atingiu a parte insular de Florianópolis por cerca de 55 horas, em 2003. Por quase três dias, a Ilha ficou às escuras, causando diversos transtornos a população. O caso que relato abaixo aconteceu comigo durante o apagão.

Foto de Ulisses Job 
Publicado originalmente em 29 de outubro de 2008 

   Já era o segundo dia do apagão em Florianópolis. Mesmo à luz de velas, a noite tinha sido “comprida”. Fiquei até tarde em um bar na Lagoa. Com o apagão, Floripa parecia o fim do mundo e aí resolvemos beber até...o fim.
   Cheguei em casa com uma dor forte no lado direito da barriga. Tentei dormir e não consegui. O dia clareou e a luz não vinha. Começamos a acompanhar o caos da cidade pelo radinho. Era carro boiando nas garagens da beira mar. Sem sinaleiras o trânsito ficou insuportável. Polícia? Como chamar, nada funcionava. A dor aumentava. Buscopan já não fazia efeito.Lá pelas 4 da tarde resolvi:

- Vou para o hospital!

   Mas que hospital? Só no Estreito onde ainda tinha eletricidade e assim mesmo entupidos de gente. O Hospital Universitário era uma alternativa. Devia ter um plantão de emergência, pensei. Mesmo não acreditando muito me dirigi ao HU. Chegando lá estava tudo vazio. A “clientela” se mandou tudo pros hospitais do Estreito. Me dei bem!
   Fui atendido imediatamente. Um sextanista me examinou e logo chamou o médico de plantão. Mais um exame rápido e ele mandou prepara a sala de cirurgia.

- Apendicite aguda!

   No quarto andar tinha um gerador de eletricidade cedido ao HU pela RBS. Me deram um avental, aqueles de bunda de fora, umas pantufas e uma touca branca pra cabeça. Quando saio da sala, todo fantasiado, já me esperavam um médico e três enfermeiros. Todos de branco e com máscaras. Imediatamente me colocaram um soro no braço e apontaram para um corredor escuro, é claro, e disseram vamos!

- Como assim? Pra onde? Tá tudo escuro!

   Uma enfermeira rapidamente me alcançou um vela acesa que transportei na frente daquele séquito pra lá de estranho. Eu não sabia, mas no soro já tinha uma droguinha prá amaciar a carne e a cabeça.
   Dias antes, havia visto uma entrevista na Ana Maria Braga com um senhor espírita Cardecista que seria o substituto do Chico Xavier. Não sou dado às crenças mas ouço espíritas. Lá no meio da entrevista o amigo falou que os espíritos de pouca luz, atrasados demoram muito a desencarnar. Ou seja, morrem e não percebem. Ficam sofrendo por aqui. Os espíritos iluminados, esses sim, sobem rapidamente. Encontram os enfermeiros do universo, todos de branco, que encaminham eles para os “canais competentes”. Achei interessante a estória.
   Quando começamos a subir as escadas do HU em direção ao quarto andar, lá pelo segundo eu olhei ao redor revi a cena, todos de branco e eu com uma vela na mão, exclamei na hora:

- Eu morri!!!!

   Todos riram e eu rapidamente me recompus e, com uma ponta de alegria, lasquei:

- Morri mas sou um espírito de luz. Já me dei conta!
   Fui perceber que estava vivo lá pelas nove da noite quando abri os olhos e meus filhos e minha mulher estavam na minha volta, já no quarto do hospital. Que apagão!!!!

Bom fim de sexta!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Música medieval em Praga

    Essa é uma das muitas bandas de rua que assisti em Praga. Músicos de rua que atraem multidões. Esse grupo de música medieval faz sucesso na Staroměstské náměstí a praça histórica da Cidade Velha bem no centro de Praga, capital da República Tcheca.
   Localizada entre a Praça Venceslau e a Ponte Charles, a Praça da Cidade Velha está sempre lotada de turistas. A praça é cercada de prédios de vários estilos arquitetônicos como a Catedral Týn (gótico) e a igreja de São Nicolau, estilo barroco. 



Leitor denuncia prefeito

   Boa tarde, Sérgio,gostaria de manter esta denúncia sob anonimato.

   O prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Junior, cujas ordens dadas à guarda municipal são para multar os motoristas que estacionarem seus veículos na rua Trajano, ao lado da prefeitura, onde é explicitamente proibido parar e estacionar, é o mesmo que solicita que seu motorista estacione o carro na mesma rua.
   Não é a primeira nem segunda vez que isso ocorre, e pelo jeito é uma prática comum. 
   As fotos provam o ocorrido, já denunciado por outros usuários no twitter.
   Um forte abraço!


Us manu pira!

Gaviões da Fiel acusa de plágio a torcida corintiana gay Gaivotas Fiéis


Advogado alega que versão gay não teve autorização para imitar símbolos. Polícia investiga denúncia de crime contra marca; criador nega ter copiado.
   
   Além de fazer alusão ao nome Gaviões da Fiel, a Gaivotas Fiéis tem outros símbolos que remetem à torcida mais famosa. Na nova versão, há uma gaivota no lugar de um gavião segurando o emblema do Corinthians. Os remos dão lugar a pincéis de maquiagem e a âncora é um suporte para espelho. Dentro dele aparece a bandeira do estado de São Paulo, mas com as cores do arco-íris, numa menção ao grupo LGBT (sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

Matéria completa? Beba na fonte!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Colombo e as idiossincrasias da política paroquial

Do Josias de Souza (UOL)

PT no Twitter: Campos vai ‘rumo ao precipício’



Eduardo Campos janta com os Bornhausen e Cia.
na casa do governador Colombo, apoiador de Dilma
(foto James Tavares)
   Administrada pela Secretaria de Comunicação do diretório nacional do PT, a conta oficial do partido no Twitter veiculou na noite desta terça-feira (23) uma mensagem dirigida a Eduardo Campos, presidenciável do PSB.O texto faz uma previsão e roga uma praga: “Todos os que prognosticaram a derrocada do PT ficaram pelo caminho. Os Bornhausens da vida abraçaram-se a E. Campos rumo ao precipício!”   
   Numa segunda mensagem, o microblog petista insinua que o neto de Miguel Arraes trafega na faixa da direita: “O PT, como um dos herdeiros de lutas da esquerda brasileira, seguirá cada vez mais firme em defesa dos interesses do povo!”
   Quando Eduardo Campos decidiu romper com o governo de Dilma Rousseff, a reação de Lula sinalizou que a separação envolveria o mesmo tipo de indecisão que acompanha a ruína de um casal. Lula defendeu que o divórcio fosse amigável.
   As mensagens penduradas no Twitter informam que parte dos companheiros acha que tem o dever cívico de intrigar o PT com o PSB. Isso pode atrapalhar uma eventual reconciliação de segundo turno. Porém…
   Essa ala mais passional do petismo não admite raciocinar apenas em termos práticos. Quer apressar a partilha dos bens. Acha que o PSB deve sair do relacionamento com a roupa do corpo. O PT fica com tudo e com o Lula. Que o Eduardo Campos não poderia visitar nem uma vez por mês.
   A menção aos “Bornhausens da vida” não foi gratuita. Nos últimos dias de agosto, quando Marina Silva (Rede) ainda não havia caído nos seus braços, Eduardo Campos filiou ao PSB de Santa Catarina o deputado federal licenciado Paulo Bornhausen, ex-DEM e ex-PSD.
   Paulinho, como os amigos o chamam, é filho de Jorge Bornhausen, um ex-cacique do DEM que, em 2005, nas pegadas do escândalo do mensalão, previra um futuro sinistro para o PT: “A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos.”
   Em 13 de outubro de 2010, ao lado de Dilma, então candidata à Presidência, Lula deu o troco num comício na cidade de Joinville: “Nós precisamos extirpar o DEM da política brasileira”, disse.
   Lula acrescentou: “Não quero crer que esse povo extraordinário de Santa Catarina vá pensar em colocar no governo alguém de um partido que alimenta ódio. Alguém de um partido que entrou na Justiça para acabar com Prouni, como o DEM entrou. Nós já aprendemos demais, já sabemos quem são os Bornhausen. Eles não podem vir disfarçados de carneiros. Já conhecemos as histórias deles”.
   Ao referir-se à família no plural, Lula incluiu, além do patriarca, o filho Paulinho Bornausen, à época líder do DEM na Câmara. O candidato a governador que Lula achava que não merecia o voto dos catarinenses era Raimundo Colombo, um filiado do DEM. Apoiando a candidatura presidencial do tucano José Serra, Colombo prevaleceu na disputa estadual sobre a rival petista Ideli Salvatti.
   Por mal dos pecados, Colombo pertence agora ao PSD de Gilberto Kassab. É um feliz apoiador da reeleição de Dilma Rousseff. Foi por essa razão que Paulinho, secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Colombo, decidiu sentar praça no PSB de Eduardo Campos. Tinha ojeriza à ideia de acompanhar o governador no apoio ao PT.
   Se a política brasileira tivesse lógica, Paulinho teria rompido também com Colombo, deixando sua equipe. Mas como a política no Brasil desobrigou-se de fazer sentido, deu-se coisa diferente. Ao visitar Santa Catarina para entregar a presidência do PSB estadual ao filho do inimigo número um do PT, Campos jantou com os Bornhausen na residência oficial do governador Colombo (repare na foto lá do rodapé).
   O tucanato observa com um risinho no canto da boca as contradições do conglomerado governista e as incursões de Eduardo Campos no universo apelidado por Marina Silva de “velha política”.
   A essa altura, os operadores do PSDB avaliam que Eduardo Campos tem encontro marcado com Aécio Neves no segundo turno. Um pedaço do PSB acha a mesma coisa. Só que aposta no vice-versa. Quanto aos administradores do Twitter do PT, parecem acreditar que tudo se resolverá no primeiro turno.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Teoria da Desesperança

Um projeto nacional naufragado em águas profundas 

“(...)para que possamos auferir os autênticos benefícios do capital estrangeiro - aqueles derivados do influxo da tecnologia em permanente renovação - necessitamos de uma política disciplinadora da entrada desses capitais. Permitir o seu influxo desordenado será seguramente privar o país, no futuro, das reais vantagens da cooperação desses capitais em setores de tecnologia menos acessível.”(Celso Furtado – Discurso de Paraninfo em 1959, em Minas Gerais – Da Objetividade do Economista)
   Por Eduardo Guerini
   
   Nunca na história desse país (em minúsculo) se viu tamanha empulhação econômica diante de um processo de concessão (privatização disfarçada) fruto da incapacidade do governo lulo-petista em assumir a debilidade estrutural em promover e impulsionar um projeto de desenvolvimento que garanta a soberania nacional.
   Não bastasse a insistente e falaciosa promessa de crescimento econômico - acima da média história não se realizar. As recorrentes revisões na previsão de crescimento, a redução drástica na capacidade de investimento social - resultando na primeira onda de manifestações, onde multidões exigiam melhoria na oferta dos serviços públicos essenciais - educação de qualidade, saúde e segurança eficientes, mobilidade urbana efetiva, etc. Os anúncios e projeções de mercado fazia que autoridades monetárias desmentissem sucessivas vezes o ministro da Fazenda e a ministra do Planejamento. O Pibinho e a crise de realização dinâmica estão sempre no horizonte da economia brasileira.
   Nessa flutuação levada pelos interesses eleitorais, o resultado da privatização no governo lulo-petista é mais uma peça que demonstra como lideranças políticas são cínicas e hipócritas na sua capacidade de governar , movida pelo interesse particularista. E assim, a história econômica brasileira continua títere das vontades externas , da lógica estruturante da globalização - abertura a fórceps de republiquetas latinas ao interesse dos grandes corporações. 
   O pragmatismo e monetarismo bastardo de autointitulados neo- desenvolvimentistas não passa de mais uma categorização daquilo que todo e qualquer economista aprende nas fase iniciais do curso de graduação – a ausência de um projeto nacional compromete o futuro de uma nação. Na ausência de um Plano de Desenvolvimento orquestrado politicamente , nos tornamos vítimas de um modelo econômico perverso . Continuamos nossa tendência histórica de republiqueta latina –dependente , periférica e miserável
   A privataria tucana entregou uma joia da coroa – a Vale do Rio Doce (nossa riqueza mineral), a privataria petista acaba de sacramentar a entrega da ultima joia da coroa ( a base energética), naufragando a esperança de um projeto nacional soberano nas águas profundas do pré-sal.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Somos governados por espectros

Por Eduardo Guerini
Em uma tenda com a cigana para
 prever sucessão de 2014. No atual
 estágio de lançamento de campanhas
 e inúmeras articulações, consultando
 o tarô para saber o destino dos
 candidatos em campanha eleitoral antecipada

   Como diz aquele velho enredo da música popular brasileira, na musica de Chico Buarque “Vai Passar”, na esteira da nova eleição que é esquadrinhada nos conchavos palacianos, o senso comum não consegue perceber que continuamos “levando pedras feito penitentes”, enquanto “barões famintos e bloco de napoleões retintos” fazem tratativas para manter o poder a qualquer custo.
   Se o processo eleitoral (ou re-eleitoral) está em jogo, sua caracterização é de extremada disputa competitiva pelo voto do eleitor(a). As novas (sic!!!) configurações partidárias que são orquestradas são simples manifestação da subordinação de partidos e eleitores, por sucessão - seus candidatos, a lógica do mercado de votos financiado pelo poder econômico das corporações que tratam seus interesses privados acima do interesse público. Daí, pensar que as eleições são limpas, não passa de uma mera especulação ingênua de algumas almas bem intencionadas no portal do Inferno.
   Se o conceito de vontade geral é sempre apontado pelos limites naturais e morais (políticos) para garantia de formação de um corpo político representativo, apoiado nos princípios convencionais, a questão a ser resolvida no caso brasileiro, é encontrar um ponto de inflexão que estabeleça uma comunidade verdadeira, na qual a tensão entre o individual e o coletivo seja resolvido pelo compromisso triangular permanente, congregando - Estado, Empresários e Trabalhadores.
   Como a crise de representação política chegou ao seu ápice, os eleitores brasileiros exigindo comprometimento ativo de seu representante em prol do interesse coletivo, os representantes políticos e gestores públicos se afastando cada vez mais dos anseios populares, satisfazendo os interesses econômicos de quem financia as campanhas - a saber, as grandes empresas que tem negócios com o Estado. Será uma eleição dispendiosa, dada a necessidade de se utilizar as novas tecnologias midiáticas e informacionais, para transformar nossa dura realidade em algo encantado, em que o real aparece de forma espúria e virtual. Essa convergência entre mídia, operadores de institutos de pesquisa, partidos políticos, governos e candidatos, transformou a eleição numa grande ópera bufa.
   Se de um lado, as campanhas partidárias são “macdonaldizadas” no sentido de suprir uma necessidade rápida e instantânea do eleitorado através das constantes “pesquisas de opinião” e impressões de populações estratificadas e mobilizadas pelo mercado e marketing eleitoral. Noutro lado, o eleitorado que combina um grupo heterogêneo de cidadãos, com alto grau de adesão aos mecanismos representativos da democracia moderna, apresenta uma falta de fé e apatia. 
   O que talvez seja evidente no horizonte da democracia brasileira e seu débil sistema político-eleitoral é que a falta de um marco ideológico claro, preciso e distinto, pode se transformar num sério obstáculo a ratificação da formação da vontade geral, elemento crucial da soberania popular, e, sustentáculo dos representantes eleitos. A descrença nos partidos políticos e na elite política, pode remeter a sociedade brasileira para o “desencantamento democrático” e os sombrios desejos autoritários.
   A transfiguração mítica (fantasia) se dissolve pelo espetáculo do marketing eleitoral e os magos da propaganda, afastando definitivamente os atores reais - os cidadãos.


Edinho Bez, o deputado lambe-lambe

Do Diário Catarinense
Deputados de SC lideram gasto com correspondência no Congresso Nacional

  O catarinense que mais gastou foi o deputado Edinho Bez (PMDB) na lista. Sozinho, ele é responsável por 24% do total gasto pelos 16 catarinenses: R$ 166.509,36 desde o início da legislatura.

"Quero ser campeão mais ainda", disse o deputado federal

Leia tudo. Beba na fonte.

domingo, 20 de outubro de 2013

Ideli campeã de voos em jatinhos da FAB

No primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios, Pepe Vargas, José Eduardo Cardozo, Ideli Salvatti e Marco Antonio Raupp decolaram mais de quarenta vezes em três meses, quase uma viagem a cada dois dias
Felipe Frazão

   Praticamente dia sim, dia não eles estão voando. Os ministros Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), José Eduardo Cardozo (Justiça), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia) foram os campões de viagens em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) nos últimos três meses – de 12 de julho a 12 de outubro.
   Em 93 dias, Vargas usou as aeronaves 43 vezes - quase um voo a cada dois dias. Cardozo, por sua vez, viajou 42 vezes. Ideli e Raupp decolaram 41 vezes cada. O quarteto destaca-se entre o primeiro escalão presidencial pela frequência com que requisitam aviões da FAB para se deslocar, seja por causa das agendas de trabalho ou para voltar de Brasília para suas casas nos respectivos estados. Nesses dois casos o uso das aeronaves é legal.
   No ranking, logo abaixo deles, aparece a ministra Marta Suplicy (Cultura), com 33 requisições à Aeronáutica. Missões em geral, a serviço dos Poderes Executivo e Legislativo, somam 35 voos.
   O site de VEJA analisou os dados de registro de voos de autoridades disponíveis no site da FAB. A Aeronáutica passou a divulgar parte das informações sobre os voos pela primeira vez em meados de julho, após a descoberta da chamada farra dos jatinhos. A Controladoria-Geral da União recomendou ao Ministério da Defesa a publicação dos dados
   Leia matéria completa. Beba na fonte.

Storia dell’Umanità

Do mestre Milo Manara 








Ontem 100 anos de Vinicius de Moraes.


Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave
Vinicius de Moraes

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Floram derruba barraco irregular no Campeche

Os "construtores" da obra não foram identificados
    A Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM) demoliu ontem (17) uma construção clandestina nas dunas da praia do Campeche.
   A construção irregular já estava sendo monitorada pela fiscalização da prefeitura desde a denúncia feita neste blog
   Segundo os fiscais da Floram a construção seria usada como bar na temporada de verão que começa agora. 



Compra de votos na Câmara vai a julgamento

Gean Loureiro poderá ter direitos políticos cassados por improbidade administrativa. 


   Os atores são sempre os mesmos na cena política catarinenses. Gente que vive e "trabalha" para a manutenção de seus cargos e mandatos políticos. O que fazem? Política! Apenas política! Sempre com dinheiro público, é claro!
   Agora a Justiça de Santa Catarina marcou o julgamento daquele caso de malandragem e corrupção da compra de votos para presidente da Câmara de Vereadores de Florianópolis acontecida em 2011. 
   Segundo o Promotor de Justiça, Thiago Carriço de Oliveira, o então Presidente da casa, Gean Loureiro, deveria ter comunicado o fato do vereador Ricardo ter pedido dinheiro para votar às autoridades competentes. Como não fez, incorreu em atos de improbidade administrativa. Uma eventual condenação pode cassar seus direitos políticos. Haverá audiência no dia 4 de fevereiro, quando serão ouvidos Dário Berger e Paulo Freitas.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

TCE: raposas cuidando do galinheiro


   Conselheiro do Tribunal de Contas de SC, Herneus de Nadal, comprova na prática a serventia das indicações políticas para cargos em instituições do estado. 
   Quem lembra do então deputado Herneu de Nadal (PMDB) chorando copiosamente no plenário da Assembléia Legislativa durante a sessão de impeachment do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB) em 1996?
   O deputado Herneu de Nadal, envolvido até a medula na defesa da emissão fraudulenta das Letras Finaceiras do Tesouro do Estado de SC para pagamento de precatórios enexistentes, emitidas por seu chefe político no poder, foi agraciado com um cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas como prêmio por tão dedicada defesa.
   O processo sobre a emissão fraudulenta das letras dorme até hoje nas gavetas do Tribunal de Contas. Com alguns espasmos de "agora vai", o processo já passou pela mão de vários relatores.   Todos fazem de conta que darão o andamento devido ao processo e continua tudo como dantes.
   Agora, para surpresa geral dos incautos contribuintes, o mais recente conselheiro relator da falcatrua tem o nome de Herneus de Nadal, o Chorão!
   O voto do conselheiro Herneu, levado ao plenário em pleno ano da graça de 2013 pelo fato ocorrido em 1996 foi de sobrestar o julgamento do processo até trânsito em julgado na justiça, ou seja: nunquinha!!!!!
   Por uma questão de ética, no mínimo, o conselheiro deveria declarar-se impedido. 

Número do processo: TCE TC 000690471

Todos perdoados

Tio Bruda e os delírios do Capivara

- Alô, tio Canga???!!!! Tá me ouvindo?????

- Oi, tio Bruda! Como anda o amigo?

- Mas tio Canga de Deus, que volteada pelas europas heim? Gostei de vê, acompanhei a sua aventura lá pelas bandas da Itália e aquela parte da europa que os comuna tinha invadido, o leste.

- Foi uma bela de uma viagem, tio Bruda. Mas e aqui, quais são as novidades?

- Olha só, tio Canga, esse Luiz Henrique da Silveira não pára de surpreender...e delirar!

- Como assim, tio Bruda? O que que o Capivara aprontou desta vez???!!!!

- Esse home, com a surrada história da descentralização tá mais chato que o Suplicy com a "renda mínima". Mais mala que padre de colônia, tio Canga! Agora quer transformar cabide de emprego em modelo nacional!

- Andei lendo alguma coisa a respeito...

- Não sei se tu lembra, tio Canga. Aquelas 36 secretarias regionais, criadas pelo Capivara e que o Raimundo Colombo chamou de cabide de emprego,  agora podem virar modelo para o país inteiro.

- Mas eu vi essa bobagem que Luiz Henrique falou lá no tal de Senado do Futuro, uma comissão que ele preside.

- Tio Canga, eu tive no bolicho do Thiucas e pedi pra ele fazê umas contas na Facit dele. O Capivara quer expalhar os cabides de empregos do PMDB "por todo o Brasil". Levando em conta os 27 estados brasileiros multiplicado por 36 vamos ter, por baixo, uns 972 ministério. O home tá delirando mesmo, tio Canga! Quer expalhar ministério como pó de mangueira e pé de vento.

-  Tio Bruda, fique tranquilo que alguém vai impedir essa barbaridade. Se aqui em Santa Catarina a tal de descentralização foi uma tragédia imagina no Brasil. 

- Tio Canga, eu to preocupado. Sabe que o PMDB é forte, e prá criar cargo é mais eficiente que japonês na roça! Até um secretário do governador Raimundo foi lá no senado ingrupir o povo com um discursso de que a descentralização "é a custo zero".

- Eles perderam a vergonha, tio Bruda. Dizem qualquer coisa. Aqui em Santa Catarina a malandragem do Luiz Henrique, e que foi mantida pelo Raimundo, custa nada menos que R$ 500 milhões por ano!

- Mas pára, tio Canga! Isso é mais escandaloso que relincho de burro choro! Eles ainda tem coragem de falar um monte de mentiras e ficar com cara de paisagem! Uma brincadeira destas sai mais caro que argentina nova na zona!

- Tio Bruda, o senhor tá sabendo que o Luiz...tú...tu...tú...tú...tú...
- Caiu a linha da Tim, o véio fica loco!


terça-feira, 15 de outubro de 2013

CERRADO DESTERRO - Volume II.

   Do Eduardo Dutra Aydos

   Ontem recebi o novo livro do Emanuel Medeiros Vieira.
   Consagração do poeta, a obra expressa em síntese a dramaturgia da nossa geração.
   Destaco, quase aleatoriamente, uma reflexão pertinente:
"O problema é que estamos vivendo um momento de enorme velocidade e de pouca concentração".
   Consistente como poucos, Emanuel exercita sua liberdade na contramão deste desatino e foca a sua atenção no que reputa essencial:
"Minha verdadeira cidadela é o território dos afetos.
Transformado estou: no guerreiro que não me imaginava mais - exaurido.
Ainda assim: combatente..."

   Generoso, faz-se acompanhar, na perenidade da sua obra, pelo depoimento de muitos que, ao longo do caminho, têm privado da sua convivência e do seu entendimento.
   Têm-se, destarte, completo, embora ainda no caminho.
   Encarnação de Kleos e mensageiro de Kudos: pelo manejo da palavra, experimenta a glória que ascende aos deuses; e assim, combatente, faz-se também um vencedor, distribuindo da sua própria glória, na memória escrita deste Cerrado Desterro.
   Longa vida e merecida imortalidade amigo Emanuel

domingo, 13 de outubro de 2013

Lula vai explicar na justiça sobre dinheiro no exterior

Polícia Federal investiga os tentáculos do mensalão no exterior

Justiça quebra o sigilo de contas e a polícia pede ajuda internacional para rastrear doação clandestina ao PT na campanha de 2002. O ex-presidente Lula será intimado a depor

Rodrigo Rangel e Hugo Marques

   Em setembro do ano passado, o empresário Marcos Valério, o operador do mensalão, apresentou-se voluntariamente à Procuradoria-Geral da República em Brasília e prestou um longo depoimento em que formalizava algumas revelações acachapantes sobre o maior escândalo de corrupção da história do país. O julgamento do processo contra os mensaleiros, entre eles o próprio Valério, estava em pleno curso no Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário queria proteção e um acordo de delação premiada. Entre as novidades, Valério contou que o ex-presidente Lula não só tinha conhecimento do mensalão como avalizou as operações financeiras clandestinas. Disse ainda que o dinheiro usado para subornar parlamentares também pagou despesas pessoais de Lula, inclusive quando ele já ocupava a cadeira de presidente da República. O depoimento deu origem a várias investigações. Uma delas, envolvendo uma suposta doação ilegal de dinheiro ao PT, agora vai ganhar reforço internacional.
   A Polícia Federal pediu ajuda para rastrear a movimentação de contas bancárias no exterior que, segundo o publicitário Marcos Valério, foram utilizadas pelo PT para receber doações ilegais que bancaram despesas da campanha presidencial de 2002. Em seu depoimento, o operador do mensalão forneceu aos procuradores os números de três contas usadas para receber 7 milhões de dólares da Portugal Telecom, gigante do setor de telefonia que tinha negócios no Brasil e interesse em se aproximar do governo recém-empossado. Valério disse que a doação foi acertada por Lula, José Dirceu e o ex-ministro Antonio Palocci, e que ele cuidou pessoalmente da operação em Lisboa. Para despistar eventuais curiosos, os depósitos teriam sido feitos por fornecedores da Portugal Telecom em Macau, um pedaço minúsculo de terra no sul da China colonizado pelos portugueses onde a influência de Lisboa se faz presente até hoje. (Revista Veja)

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Decisão judicial vira moeda no mercado futuro

   Cansado de esperar pela justiça e sem nenhuma esperança de ver a cor do dinheiro em vida, cidadão sexagenário decidiu acertar com o crematório de Camboriú, para que o pagamento de sua "torrada" seja feito com parte de ação que se arrasta na justiça catarinense desde 6 de agosto de 2003.
    A ação indenizatória - nº 023.03.652390-1 que corre na 5º Vara Civel - por morte da esposa em acidente rodoviário. Após dormir nos escaninhos do judiciário catarinense teve sentença proferida em 20 de fevereiro de 2006, transitada em julgado.
   Uma luz no fim do túnel, pensou o crédulo cidadão. Ledo engano. A justiça não funciona como a gente imagina. O mérito da ação, que presume-se ser o mais difícil, durou 3 anos.    Agora para executar a sentença judicial, passaram-se 6 anos e nada do cidadão ver a sentença cumprida.
   Com as esperanças no judiciário totalmente perdidas, o cidadão resolveu transformar a decisão judicial em moeda futura. Vai pagar o crematório e todas as despesas funerarias com a sessão dos direitos da ação...quando sair...se sair!
   Quando doutrinava seu netinho de 2 anos para fazer Direito e defender a causa do avô, presenciou o julgamento do Mensalão. Um frio cortante percorreu sua espinha! Surgiu a figura dos Embargos Infringente! 
   Desistiu de tranformar o neto em advogado e o matriculou na escolinha de futebol do Figueirense.


Grubba: o Vigilante Rodoviário

Grubba de moto no DC e de patinete no Cangablog
      Foto do secretário de (in)segurança, César Grubba, publicada na página 3 do Diário Catarinense de hoje virou gozação nos meios policiais da cidade.
   O secretário Grubba, desaparecido desde julho quando ficou fora das rodadas de negociações para resolver a greve da Polícia Civil de SC, apareceu de repente, na coluna Visor do DC, posando de "vigilante rodoviário".
   Segundo a poliçada, Grubba deveria pousar pilotando um patinete. Estaria, assim, mais de acordo com sua agilidade em resolver os problemas da Segurança Pública no estado. 

Os delirios de Luiz Henrique da Silveira


   O senador Luiz Henrique da Silveira, na tentativa de elogiar o mais recente trabalho do jornalista e escritor lageano, Paulo Ramos Derengoski, comete um texto - distribuido à imprensa catarinense - transbordando "erudição" e erros históricos. (Leia aqui)
   Numa exibição de seu "conhecimento", LHS mergulha em estórias dos generais espartanos e vai tirar a cabeça mais adiante com citações tipo: "Quem se recorda do nome de algum daqueles generais espartanos que Ciro, o Jovem, contratou a peso de ouro para combater seu irmão, Artaxerxes II, e tomar-lhe o trono, no ano de 401 antes de Cristo?
   Mas, se eu citar o nome de Xenofonte, não faltará quem se lembre do historiador que escreveu “A Anábase de Ciro”, narrando os detalhes daquela malfadada guerra fraticida, na qual foram mortos tanto Ciro quanto os generais do exército espartano mercenário".

- Mas como lê esse home!!! Oigaletê home letrado!!! Me exclamou o Tio Bruda depois de tentar acolherar as letras e o pensamento do senador.

   Mas de tudo isso o que mais chama a atenção é o descuido com informações históricas sobre o conflito catarinense, objeto do livro “A sangrenta Guerra do Contestado”. Na tentativa de comparar Euclides da Cunha com Paulo Derengoski, se equivoca ao registrar a origem "paulista" do autor de Os Sertões, que na verdade nasceu em Cantagalo, interior do Rio de Janeiro.
   Mas a coisa não para por aí. Provavelmente com a ajuda de algumas doses de poire, Luiz Henrique consegue ressuscitar o lider "maragato" Gumercindo Saraiva, morto numa tocaia no Arroio de Nhã Capetum no interior do estado Sul Riograndense em 10 de agosto de 1894. Como sabemos, a Guerra do Contestado aconteceu de 1912 a 1916, impossível então de contar com os préstimos de Gumercindo na peleia. 

O finado Ulysses Guimarães, com quem LHS afirma conversar em noites de poire, ao ler o texto teria exclamado:
- Mas o que é isso Capivara!!! Apelido que Ulysses atribuia a LHS.

   Essas informações estão contidas m carta que o ilustre leitor Paulo Vendelino Kons, de Brusque, enviou ao senador LHS, esclarecendo os erros cometidos. Leia abaixo:

Brusque-SC, 8 de outubro de 2013.
   Ementa: artigo de opinião “Escritor do Contestado”
   Caro Senador Luiz Henrique,
   Com a satisfação de cumprimentá-lo e agradecer a deferência de vosso gabinete parlamentar em justificar vossa não participação na assembleia do Grupo deProteção da Infância e Adolescência – GRUPIA às 09h do dia 10 de outubro de 2013(quinta-feira), no salão de reuniões da Associação Empresarial de Brusque (ACIBr).
   Na oportunidade do contato disse às duas assessoras parlamentares que em vosso nome nos contataram de que o artigo de vossa autoria intitulado “Escritor do Contestado” publicado em vários jornais e localmente na edição nº. 675 do hebdomadário A Voz de Brusque (4 X 2013) continha um equívoco: é citado o general Gumercindo Saraiva como “líder guerreiro do lado das tropas governistas”.
   Como sabemos, caro Senador, a Guerra do Contestado foi um conflito armado entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira, disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina.
   Já o general Gumercindo Saraiva, um dos comandantes das tropas rebeldes (maragatos) durante a Revolução Federalista, nasceu em Arroio Grande, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, no dia 13 de janeiro do ano da graça do Senhor de 1852 e foi prostrado, numa tocaia, com dois tiros de espingarda que lhe dilaceraram os pulmões, no Arroio de Nhã Capetum, bem no interior do estado Sul Riograndense (atual município de Capão do Cipó) em 10 de agosto de 1894. Após dois dias seu corpo foi localizado no cemitério do capuchinhos de Santo Antônio por forças leais ao governador Júlio de Castilho e ao presidente Floriano Peixoto e degolado. Sua cabeça foi levada numa caixa de chapéus como um troféu para o governador do estado em Porto Alegre. Mas Júlio de Castilhos proibiu o oficial de aproximar-se do Palácio do Governador. Assim, por óbvio impossível de Gumercindo Saraiva participar da Guerra do Contestado.
   Observe-se que por detalhes o general Gumercindo Saraiva não alterou substancialmente a história de Brusque, pois condenara a morte por fuzilamento o empreendedor e líder político Carl Christin Renaux, depois conhecido como Cônsul Carlos Renaux.
   As tropas federalistas Sul Riograndenses - autodenominadas Exército Libertador - ao atingirem o Planalto catarinense se desdobraram para Laguna e Vale do Itajaí. Cerca de 1.600 homens, no comando do general Gumercindo Saraiva, depois de um combate com a Divisão Norte, desceu pelo Vale do Itajaí e ocuparam Blumenau em 29 de novembro de 1893. Renaux foi preso e em julgamento sumário condenado à morte por fuzilamento, acusado de ser partidário de Floriano Peixoto. Foi salvo pelo chefe federalista (maragato) de Blumenau, Elesbão Pinto da Luz (1860 — 1894, que após casar-se aos 18 anos com sua prima, Maria José, irmã do Dr. Hercílio Pedro daLuz passou a residir e trabalhar como servidor público nas colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro, formadoras do município de São Luiz Gonzaga – hoje Brusque – tendo aqui nascido sua primeira filha). Elesbão inclusive ofereceu-se para ser morto em lugar de Carlos Renaux. Com a derrota da Revolução Federalista, Elesbão foi fuzilado na fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim.

Com minhas renovadas expressões de reconhecimento e estima cristã,
Paulo Vendelino Kons

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Magistra Vitae

Por Eduardo Guerini

Em penitência cotidiana, escrevendo na
 lousa sua profecia de vida - Ler, apreender,
 ensinar a ser feliz.

   Eis que surge a dúvida diabólica que move toda a classe do magistério em sua senda de vida: é uma profissão de vida ou uma profissão de fé?
   Uma incansável classe trilha todos os dias um caminho longo e tortuoso por todas as partes do imenso território brasileiro. A lembrança de condições inóspitas é algo natural, embora incompreensível para maioria dos trabalhadores que acredita ser este ofício algo leve e saboroso. Todos os anos, o mês de outubro é carregado de festas populares, lembrando que estamos próximos de uma temporada de verão. E na tarefa cotidiana, de sol a sol, com a martirizante situação de penúria existencial, na normalidade sofrente, esculpindo o semblante, os mestres vão sucumbindo as intempéries de sua natureza humana e desvalorização social.
   Na “terra brasilis”, os professores são um bom enredo para campanhas eleitorais, com ajuda da funcional ferramenta do “marketing político”, especuladores da realidade criam uma realidade ficcional para o cotidiano do magistério em todos os níveis. Na terra encantada da propaganda política – homenagens, escolas e personagens são perfeitos - a harmonia estética é uma grande utopia a ser atingida. 
   A infraestrutura das escolas e as condições de trabalho dos professores está tão distante como o “pote de ouro” no final do arco-íris, tal como perseguíamos na fantasia infantil que alimentávamos no inicio de nossa vida escolar. As escolas brasileiras na atualidade são um depositório cruel de crianças e profissionais desvalorizados e descontes. Um tom sombrio se abateu no ambiente escolar nas últimas décadas – o desencantamento na arte de ensinar e aprender.
   Não bastasse a penúria estrutural, nossos governantes que disputam majestosamente espaços midiáticos para narrar planos e metas que soterram qualquer esperança possível. O uso político das escolas – local onde a liberdade de cátedra e expressão deveria reinar, foi devidamente ocupado pela nefasta classe de “comissionados” ou “indicados politicamente”, todos devidamente apresentados por um parlamentar oportunista em manter currais eleitorais.
   Finalmente, a escola foi contaminada pela tecnologia, na ânsia de entrar para a “pós-modernidade”, todos os gestores buscam um meio para empurrar uma quinquilharia eletrônica como sinal de inovação ao velho e surrado quadro e giz. Entre paredes e aparelhos eletrônicos, os professores passaram a condição de coadjuvantes do processo educacional, ou como diz aquele especialista em pedagogia e didática – um mediador (sic)!
   Na histriônica condição de governantes que mandam policiais militares usarem a força desmedida e lançam “spray de pimenta” em professores, resistimos resignados e silenciados – a vida é magistral. 
   Na resistente luta cotidiana por melhoria das condições de vida e de trabalho, não rendemos homenagens aos governantes de arlequim, repudiamos falsas homenagens, seguimos vivendo e aprendendo, tudo pelo bom combate - no campo das ideias e da realidade. 
   Afinal, somos mestres na interpretação, na leitura de realidade, aprendemos e ensinamos a beleza da descoberta, redesenhamos a realidade.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

De volta ao paraíso, porém...


   Depois de um tempo fora é muito bom voltar para casa! Ser recebido pelo filhos, pela neta, pelo Bakunim - meu velho cão anarquista - e acordar com um dia maravilhoso como esse aqui na praia do Campeche, não tem preço!
   Cedo e fui dar uma caminhada pelo bairro. O dia não poderia ser mais convidativo. Treinado de tanto bater perna pela Itália, Eslovênia, Áustria, República Checa e Alemanha, em 22 dias de viagem, não foi difícil percorrer o circuito Rua da Capela, Av. Pequeno Príncipe e retorno pela areia branca da praia do Campeche.
Novidade em área de preservação
   Porém, caminhando feliz com o sol na cara, ao passar pela praia do Riozinho me deparo com um novidade: uma construção nova em cima das dunas, área de preservação permanente, bem ao lado do barracão dos pescadores. Nada de concreto e ferro, é verdade, mas um "puxadinho" de madeira bem ao estilo dos "empreendedor de verão" aqui na Ilha. Vai a foto e a pergunta aos fiscais do Ibama, Fatma e Floram:
1 - A construção do puxadinho está dentro das leis e normas que regem a ocupação e o impacto ambiental nesta área?
2- Seria este um equipamento construido pela comunidade para abrigar salva-vidas na temporada de verão?
3- Ou o "puxadinho" é um equipamento autorizado pela Prefeitura Muicipal para ser explorado com venda de bebidas e lanches durante o verão?

   Outra coisa que me chamou a atenção nesta caminhadinha pelo bairro foi o estado do cemitério aqui nos fundos de casa. A cerca, da parte que margeia a servidão que leva até à praia, ao lado da Igrejinha de São Sebastião, está toda rebentada com os arames enferrujados, enroscados pelo chão e com pontas perfurantes para todos os lados. Em certos lugares os arames estão no chão permitindo inclusive a entrada de animais. Um aspecto de total abandono.
   Segundo me relatou um morador que encontrei no caminho, já em janeiro a prefeitura teria sido comunicada sobre a cerca e depois de mandar uma empresa fazer o levantamentonada mais aconteceu. 

   Aí prefeito César Junior, o Campeche está precisando de uma atenção especial. Não são grandes obras, apenas um olhar mais cuidados com o nosso bairro. São pequenas coisas mas que trazem grandes benefícios para  a comunidade. 

sábado, 5 de outubro de 2013

Praga, uma cidade para não esquecer

Moraria nesta cidade...
      Quando vesti a "campeira" grossa para descer e comprar yogurte no mercadinho do coreano ao lado do Ametyst Hotel Praha, já passava das 10 da noite. A temperatura tinha caído bastante, beirava os 7 graus e era potencialiazada por um leve mas terrível ventinho. Naquela noite, Praga tinha um céu azul. O dia tinha sido maravilhoso, como os dois anteriores desde a nossa chegada.
    
Sophia e  črt, amigos
    Era quarta-feira à tardinha quando chegamos na estação central de Praga provenientes de Viena. A viagem de trem foi ótima. Dividimos uma cabine de seis poltrona com um casal jovem que, após 3 horas e meia, tornou-se amigo.
Não dá prá entender...
   črt (se pronuncia chuêrt), nasceu na Eslovênia. Formado em Letras e Filosofia hoje faz curso de montagem de filmes em Praga. Sophia, é tcheca, estuda música e canto na universidade. É cantora e se apresenta com grupos folclóricos e de jazz. A aproximação foi possível porque črt falava algo de inglês e outro tanto de italiano e espanhol. A medida que conversávamos ele fazia tradução simultânea para a namorada. A conversa foi bastante surtida. Música, arte, cinema, economia, história e fatalmente política. A herança comunista no leste europeu não é nada recomendável. Os jovens não foram os primeiros a reclamar dos anos de obscurantismo do domínio soviético sobre seus países. 
O imponente Museu Nacional da República Tcheca
   Senti o vento frio cortando a pele do rosto mas não desisti de dar uma banda pelos bares das redondezas do Museu Nacional, centro da capital da República Tcheca. Comprei o yogurte, deixei na geladeira do bar do hotel e vazei na primeira esquina com a rua Bélgicka. Na  seguinte havia um pub que já estava mapeado, tinhámos passado por ali no segundo dia de Praga a caminho do Ametyst Hotel Praha. O bar estava aquecido de música, conversa, bebida, risadas e muita fumaça de cigarro. Fumei como doido...fazer o que!
   O Ametyst foi o nosso segundo hotel na cidade. O primeiro, Julis Hotel, ficava na Václavské náměstí, número 22, ou seja: na cara do gol. Por um erro de planejamento acabamos ficando lá um dia só e depois nos mudando para o excelente Ametyst.
Grafiti às margens do Vltava 
    Se em Viena tivemos dificuldades com a lingua alemã, imaginem com o idioma tcheco, língua esláva. Faltam vogais para os amigos! Pelo nome do companheiro de viagm črt, já dá para sentir o clima. Afora isso, por uma questão de orgulho nacionalista os tchecos cansados de invasões militares e culturais, hoje resistem a todas as tentações de usar qualquer outro idioma nas suas placas de indicação turística, resistem ao uso do Euro dificultando o entendimento e negociações com moeda que não seja a Coroa tcheca.

Igreja de São Nicolas na Staromestké Nám
   Sem mesmo ter pedido uma bebida o proprietário da casa, com cara de hippye que chegou a pouco de Woodstock, me serviu um "balde" da excelente cerveja tcheca. O jogo já estava 2 a zero para o Bayer de Munique em cima do Manchester City. O som do narrador da partida de futebol na tv se misturava com um tipo de rock "eslavo" que tocava alto nas quatro salas da casa transformada em bar. A balburdia da conversa em idioma ininteligível e uma bruma de fumaça fedorenta de cigarro atingia a todos na altura da cabeça, Encostado no balcão, vendo o jogo e tentando entender o que realmente era aquele ambiente fui ficando cada vez mais alegre e embriagado. Tinha esperança de, até o final da noite, entender o idioma e o comportamento tcheco...em vão.
Pedi a conta das três canecas de cerveja para voltar ao hotel e levar o yogurte para o quarto, a conta me foi apresentada em Coroas. Pedi a conversão em Euros e o amigo se negou a fazer. Fiz uma conversão na calculadora do celular a um preço bastante amigável...para o dono do bar. Ofereci o dinheiro, ele aceitou com um sorriso e uma baforada de fumaça na cara.
Del otro lado del rio...
Também sorri, vesti a campeira e me despedi dos fumantes e bebedores. Quando deixei a porta do bar 
para trás houve àquela divisão na realidade. Mesmo constatando que o frio tinha aumentado, senti um alívio ao perceber o ar frio entrando pelas narinas e gelando os meus pulmões. Respirei com vontade e profundamente, engatei uma primeira e só parei na esquina com a Bélgicka para ver uma discussão entre dois bebuns. Tentei entender porque brigavam. Desisti...aquele velho problema do idioma, sabes?   
Václavské náměstí: arrebatadora
   Não usamos metrô em Praga. A cidade é fácil de se conhecer caminhando e tudo que nos interessava ficava relativamente perto, com exceção da Catedral de São Vito, do outro lado da Karluv most. 
O local de prédios medievais reúne além da catedral, várias capelas, a Basílika Sv. Jiri e o Castelo de Praga onde os reis e imperadores da Boêmia tinham seus escritórios. Hoje é local de despacho do presidente da República Tcheca. A entrada do castelo é fechada pelo Mathias Gate, portão onde acontece a troca da guarda de hora em hora, registrada por centenas de máquinas fotográficas de turistas do mundo todo. 
Cidade velha vista da ponte Carluv
   Além disso tudo, o gigantesco complexo arquitetônico e cultural que fica no topo de uma montanha abriga museus, galerias, palácios e jardins maravilhosos por onde se chega através de uma subida íngrime ladeada por contruções típicamente medievais com restaurantes e lojas de souvenir. 
Desencontrados nas ruelas do centro de Praga
  
Cheguei no hotel abaixo de tempo ruim. Na verdade frio, com um leve ventinho o que fazia com que a coisa se complicasse um pouco. Peguei o yogurte, levei para o quarto 510 e...não resisti. Não me contentei somente com um bar, voltei para a rua. Quando dobrei a esquina da Bélgicka pela undécima vez parecia que a rua tinha se amoldado ao meu corpo. A inteligencia corporal do meu ser havia incorporado todas as informações visuais de espaço, localização, movimento das árvores e dos carros, foi como enfiar o pé em uma meia confortável...me senti em casa. Já era dali! Tudo começou a ficar mais fácil e interessante. Desci umas cinco quadras até a Václavské náměstí, calçadão do centro, e mergulhei na verdadeira noite de Praga. Alguns contatos muito diretos com uns romenos, ciganos talvez, não foram de todo satisfatórios. Mas saí precavido. Dinheiro no bolso da frente da camisa, passaporte pendurado no pescoço, sem carteira e com os olhos bem abertos, mas bem abertos mesmo. Assim se anda no bas fond de Praga.

Relógio Astronômico. A grande atração.
   O fato de não ter usado metrô acabou nos tirando a oportunidade de conhecer as estações subterrâneas de Praga tidas como as mais belas do mundo. Uma lástima. Em compensação caminhamos durante três dias de sol e céu azul por toda a região central cortada pelo rio Vltava que pode ser atravessado por diversas pontes. A Carluv most é a mais bonita e dá acesso ao bairro Hradcany onde está o Castelo de Praga.
Concentra o maior número de desenhistas, pintores e grupos musicais que tocam música medieval e jazz e tem uma vista deslumbrante da cidade. Só permitido atravesá-la à pé. Tudo isso no centro. 
   Praga foi afortunada durante a guerra. Ao contrário de outras capitais européias, severamente bombardeadas e destruídas, mantém um acervo arquitetônico invejável. Suas ruas com todos os seus prédios medievais intactos parecem saidos de antigos contos de fadas. 
   A Staromestké Nám, a mais famosa praça de Praga, é extremamente acolhedoura. Cercada de cafés e restaurantes é dominada pelas torres góticas da igreja Nossa Senhora de Týn e pela barroca
O caminho das pedras...
São Nicolas. Recheada de cantores e grupos musicais, a grande atração da praça é o Relógio Astronômico que fica o prédio da antiga prefeitura. Centenas de turistas se aglomeram ali de hora em hora para ver o desfile de bonecos que anunciam uma nova hora. Um show a parte. 
Mas o grande lance é sentar num dos cafés, pedir uma birra tcheca, todas são boas, e ver a vida passar, bem ali na frente.

    Depois do terceiro bar e muita conversa na rua resolvi voltar para o hotel pois a encrenca já estava de bom tamanho. Remanchei um pouco para sair de um labirinto de ruelas até encontrar a Staromestké Nám. Daí em diante foi mamão com leite. Precavido, havia fotografado as placas com os nomes das ruas por onde passei. Não deu outra, voltei prá casinha são e salvo e com histórias para contar.