quarta-feira, 21 de junho de 2017

O Brasil foi fatiado entre cinco perigosas quadrilhas

 Não há mais nenhuma dúvida de que a classe política brasileira está totalmente contaminada.
Salvo raríssimas exceções, não escapa ninguém e todos, em maior ou menor proporção, tem algum tipo de envolvimento com alguma das quadrilhas que operam neste cenário fétido e absolutamente sem qualquer escrúpulo.

   O jornalista ErickBretas, em artigo publicado numa rede social, foi extremamente elucidativo na identificação dos grupos organizados que atuam no Brasil, buscando vantagens em detrimento da população.
   As afirmações do jornalista foram baseadas em análise a partir das delações da JBS, Odebrecht e demais empreiteiras, apontando com extrema lucidez e propriedade que nas duas últimas décadas o país foi fatiado entre cinco grandes quadrilhas.
"A maior e mais perigosa, diferentemente do que diz o Joesley, era a do PT. Era a mais estruturada, mais agressiva, mais eficiente e com planos de perpetuação no poder. Comandava a Petrobras, vários fundos de pensão e dividia o poder com as quadrilhas do PMDB nos bancos públicos. Sua maior aliada econômica foi a Odebrecht. O chefão supremo era o Lula. Palocci e Mantega, os operadores econômicos. Era o Comando Vermelho da política: pra se manter na presidência eram capazes de fazer o Diabo."

"A segunda maior era a do PMDB da Câmara. Seus principais chefões eram Temer e Eduardo Cunha. Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves eram os subchefes. Lúcio Funaro era o operador financeiro. Mandava no FI-FGTS, em diretorias da Caixa Econômica, em fundos de pensão e no ministério da Agricultura. Por causa do controle desse último órgão, tinha tanta influência na JBS. Era o ADA dos políticos -- ou seja, mais entranhada nos esquemas do poder tradicional e mais disposta a acordos e partilhas."

"A terceira era o PMDB do Senado. Seu chefão era Renan Calheiros. Seu guru e presidente honorário, José Sarney. Edison Lobão, Jader Barbalho e Eunício Oliveira eram outras figuras de proa. Mandava nas empresas da área de energia e tinha influência nos fundos de pensão e empreiteiras que atuavam no setor. Vivia às turras com a quadrilha do PMDB na Câmara, que era maior e mais organizada."
 
"A quarta era o PSDB paulista, cuja figura de maior expressão era o Serra. Tinha grande independência das quadrilhas de PT e PMDB porque o governo de São Paulo era terreno fértil em licitações e obras. A empresa mais próxima do grupo era a Andrade Gutierrez, mas também foi financiada por esquemas com Alstom e Odebrecht."
 
"A quinta e última era o PSDB de Minas - ou, para ser mas preciso, o PSDB do Aécio. Era uma quadrilha paroquial, com raio de ação mais restrito, mas ainda assim mandava em Furnas e usava a Cemig como operadora de esquemas nacionais, como o consórcio da hidrelétrica do Rio Madeira.’
‘Em torno dessas "big five" flutuavam bandos menores, mas nem por isso menos agressivos em sua rapinagem - como o PR, que dava as cartas no setor de Transportes, o PSD do Kassab, que influenciava ministérios poderosos como o das Cidades, o PP, que compartilhava a Petrobras com o PT, e o consórcio PRB-Igreja Universal, que tinha interesses na área de Esportes."
 
"Havia também os bandos estritamente regionais, que atuavam com maior ou menor grau de independência em relação aos nacionais. O PMDB do Rio e seu inacreditável comandante Sérgio Cabral, por exemplo, chegaram a ser mais poderosos que os grupos nacionais. Fernando Pimentel comandava uma subquadrilha petista em Minas. O PT baiano também tinha voo próprio. Elas se diferenciam das quadrilhas tucanas que estavam apenas circunstancialmente restritas aos territórios que comandavam - mas sempre tiveram aspirações e influência nacionais."

   "Por fim, vinham parlamentares e outros políticos do Centrão, que eram negociados de maneira transacional no varejo: uma emenda aqui, um caixa 2 ali, uma secretaria acolá..."
   ‘Digo tudo isso não para reduzir a importância do PT e o protagonismo do Lula nos crimes que foram cometidos contra o Brasil. Lula tem de ser preso e o PT tem que ser reduzido ao tamanho de um PSTU.’
   ‘Mas ninguém pode dizer que é contra a corrupção se tolerar as quadrilhas do PMDB ou do PSDB em nome da "estabilidade", "das reformas" ou de qualquer outra tábua de salvação que esses bandidos jogam para si mesmos.’
   "E que ninguém superestime as rivalidades existentes entre esses cinco grandes grupos. Em nome da própria sobrevivência eles são capazes de qualquer tipo de acordo ou acomodação e farão de tudo para obstruir a Lava Jato." (JC)

terça-feira, 20 de junho de 2017

MPSC denuncia sócios de empresa citada em assédio moral no Badesc

De acordo com a ação penal, administradores da Benetex Reciclagem Textil Ltda. teriam deixado de pagar ICMS depois de duas tentativas de parcelamento do tributo. Após reportagem do Farol, deputado estadual pede apuração de irregularidades na agência de fomento

 
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia contra Márcio Adami e Valdir Schaadt por crimes contra a ordem tributária em fevereiro deste ano. Ambos atuaram como sócios da Benetex Reciclagem Textil Ltda. Como revelou o site, a empresa é uma das quatro citadas por funcionários da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A. (Badesc) em processo de assédio moral sob investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Santa Catarina. Os servidores afirmaram que sofreram pressão para alterarem pareceres e liberar empréstimos. As quatro empresas também são citadas em processo do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC). Segundo os auditores, na inspeção realizada pelo Banco Central no ano de 2015, as operações de empréstimo do Badesc com estas mesmas empresas foram feitas sem a “observância ao princípio de garantia”.
Ambos os gestores da Benetex são acusados pelos promotores de Brusque, Marcelo Truppel e Cristiano José Gomes, por deixarem de pagar ICMS entre setembro de 2012 a fevereiro de 2013 mesmo após emitirem Declarações de Informações do ICMS e Movimento Econômico (DIMEs) à Secretaria da Fazenda. O juiz da Vara Criminal de Brusque, Edemar Leopoldo Schlösser, aceitou a denúncia em 14 de fevereiro deste ano. De acordo com o documento do TCE-SC, os empréstimos para a Benetex teriam sido liberados um ano antes em 2011. “Considerando que os denunciados detinham os valores, mas optaram pelo não repasse ao Estado-SC, resta evidenciado que agiram com manifesto dolo nesta omissão no pagamento do tributo”, afirmam os promotores de Brusque.
De acordo com a denúncia do MPSC, a dívida de empresa com o fisco estadual é de R$ 80.670,92 mil, de um total de R$ 317.337,40 registrado em notificação fiscal de 2013. Segundo o MPSC, os réus da ação penal entram em programa de parcelamento junto à Secretaria de Estado da Fazenda em agosto de 2013, sendo que, após efetuarem o pagamento de 28 parcelas, deixaram de efetuar o pagamento. Após o cancelamento do parcelamento, em março de 2016, os sócios entraram em outro programa de parcelamento. Oito parcelas foram quitadas, gerando novo cancelamento do programa em 31 de janeiro deste ano. Um segunda notificação fiscal de R$ 504.887,16 mil também foi emitida em nome da empresa. O ato da Fazenda abriu um processo judicial por meio da 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Itajaí em abril deste ano. O mesmo processo foi cancelado para que os devedores possam tentar acertar a dívida com o fisco estadual antes que uma nova ação seja ajuizada.

Leia matéria completa no FAROL.

Pato Manco na Pinguela

Por Eduardo Guerini
“O Presidente Temer não luta solitariamente para manter-se no poder. Ele representa, na verdade, um grupo político bem amplo, cuja base é o PMDB, mas cujas ramificações pegam quase todos os integrantes da coalizão governista. (...) Mas a manutenção de Temer no poder revela que muita gente, políticos e atores sociais variados, ainda bebe da mesma fonte patrimonialista que dificulta a criação de um país mais justo e democrático.” (Fernando Abrucio. O que significa manter Temer. Valor, 16 de junho de 2017)
   
O Governo Michel Temer e sua coalizão continuam sob fogo cerrado das sucessivas denúncias de delatores da Operação Lava Jato, e, sem conseguir sair da linha de tiro, assumem uma estratégia arriscada, apostando na “Lawfare” – guerra jurídica, o que evidencia uma disputa cerrada no equilíbrio entre os poderes republicanos.

   A vitória no escandaloso julgamento do TSE da chapa Dilma-Temer, com supressão de provas cabais de recursos da corrupção desvendada pelos órgãos de controle, Polícia Federal, Procuradoria da República, já encarcerou figuras proeminentes da republiqueta dos mortadelas e coxinhas. A disputa de narrativas sobre a falsidade dos delatores, a inocência da classe política, e, substantivamente o “não envolvimento” do Presidente Temer, indicam um paralisia decisória jamais vista na história política brasileira.

   Na tentativa de se manter no poder, garantindo que passado o julgamento do TSE, a normalidade da agenda de Reformas será retomada, a recomposição da base será mantida, com o apoio dúbio do PSDB – um amontoado de seres titubeantes, orientados pelo pleito de 2018, o que se evidencia é uma forma tradicional de fazer política nas hostes do patrimonialismo brasileiro.

   No intuito de se manter no poder, para garantir foro privilegiado, o Governo lançou mão de um pacto de liberação de recursos para governadores estaduais encalacrados na elevada dívida pública, em colapso fiscal pela queda na atividade econômica, e, para manter a velha tradição, rifando ministérios e cargos federais em troca de apoio parlamentar.

   No léxico da política, os americanos costumam chamar os presidentes como “lame duck”, um pato manco, que entre a eleição do sucessor e a posse, existe a perda do poder de direito, mantendo o poder de fato. No caso de Michel Temer, conduzido por meio de impedimento de sua antecessora, num Brasil marcado por gravíssima recessão e altas taxas de desemprego, potencializado por escândalos de corrupção sucessivos, o que se depreende é que a capacidade de governo está comprometida por resultados econômicos pífios.

   Neste contexto, os agentes econômicos agem de forma oportunista para acelerar as reformas que retiram direitos dos trabalhadores, principalmente, a Reforma Trabalhista e Previdenciária. Como existe certo cansaço do debate político em torno do impedimento e sucessão de um governo corrompido e degenerado, onde sua agenda intitulada “Ponte para o Futuro” se transformou na “Pinguela”, se quisermos reverter este quadro gravíssimo de crise política, econômica e institucional, é necessário estancar o debate das reformas, democratizando o sistema fiscal e o sistema político, evitando a interferência do poder econômico sobre o poder político.

   Como o Governo Temer se transformou num “Pato Manco na Pinguela”, a construção de uma agenda de refundação republicana requer a congregação de forças progressistas para depurar a falta de legitimidade e representatividade do Poder Executivo e Legislativo. Caso contrário, os brasileiros ficarão à mercê das lutas fratricidas de facções empresariais e partidárias, encobertas sob o manto protagonista do Judiciário.

   Neste cenário conturbado, a melhor alternativa é produzir novo ciclo de inquietações com grandes manifestações pressionando a classe política e este governo corrupto alinhado aos interesses particularistas do empresariado nacional e sistema financeiro sob a batuta do receituário neoliberal em curso.

   A regressão conservadora aliada a ortodoxia econômica demonstraram no curso da história política brasileira quem são os costumeiros perdedores em tempo de crise econômica.

   Não resta alternativa, abater o Pato Manco na Pinguela, e, atravessar o rio a nado!!

terça-feira, 13 de junho de 2017

DESMORALIZAÇÃO



por Emanuel Medeiros Vieira

Eu rejeito o papel de coveiro de prova viva.
Posso até estar no velório, mas não carrego o caixão”
(Ministro Herman Benjamin, relator no TSE do processo Dilma-Temer)
O assunto já foi muito comentado. 
Os acontecimentos referentes a diversos tipos de degradação na vida pública brasileira,  sucedem-se de uma maneira tão frenética, que algo acontecido há pouco, já fica superado.
Quero falar sobre o julgamento no TSE – Tribunal Superior Eleitoral – da chapa Dilma--Temer.
O “superior” não me sai da cabeça.

Sobre um antigo Conselho Superior de Censura, na ditadura (nem sei se ainda existe), Millor Fernandes dizia  que,  por ser de  censura, já não podia ser “superior”...
No universo contaminado em que vivemos,  o resultado do julgamento do TSE já era esperado
O chamado voto de minerva (para desempatar um julgamento) foi dado pelo ministro Gilmar Mendes que, segundo muita gente, “apequenou-se” com a sua posição.

Não esqueçamos que Minerva é a deusa romana da sabedoria.

Quanta sabedoria!
Uma grande pizza foi assada no TSE.
Alguém já observou que a campanha de 2014 não foi a única onde houve fraude, “dinheiro ilegal e marketing criminoso”.
Basta lembrar que o programa Bolsa Família foi utilizado como instrumento de chantagem para os pobres deste país.
Campanhas deste gênero ameaçam a democracia.
Já disseram que o TSE, está falido.

Foram “provas amazônicas”  e quatro ministros fecharam os olhos para elas. O voto do ministro relator a favor da cassação da chapa foi denso, profundo, carregado de provas cabais.
Venceu a velha cultura da impunidade.
O TSE criou a jurisprudência do “vale tudo”, onde se pode tudo e não se pune nada.
É claro: louvem-se os votos dos ministros Luiz Fux  e Rosa Weber, que acompanharam o relator Herman Benjamin.
Não é preciso escrever mais nada – corro o perigo de cair na redundância.

Mas termino, citando a reflexão de um analista: “Pátria amarga, Brasil! A maioria dos filhos teus que não foge à luta merecia melhor sorte. Mas os que te governam, sempre privilegiaram a própria sorte, desfrutando com gula das tuas riquezas”.

E o TSE investigou durante dois anos e meios os eventuais crimes cometidos.
Não havia interesse em punir ninguém.
A luta é dura. Mas a punição de grupos e pessoas tão poderosos, em curso no Brasil, leva-nos à esperança.
Precisamos ficar atentos. As armas que “eles” usam são podres e sórdidas.
Eaaa gente não tem escrúpulos.

Querem que a gente se cale, se abata – e que desanime. Mas continuaremos combatendo a injustiça, a impunidade, o roubo, que não nos importemos com o desprezo por todo o povo brasileiro – principalmente em relação às pessoas mais pobres e humildes.
(Salvador, junho de 2017)

Petistas agridem jornalista dentro de avião

Leia o relato da jornalista Mírian Leitão:
   
   Sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo.
   Sábado, 3 de junho, o voo 6237 da Avianca, das 19h05, de Brasília para o Santos Dumont, estava no horário. O Congresso do PT em Brasília havia acabado naquela tarde e por isso eles estavam ainda vestidos com camisetas do encontro. Eu tinha ido a Brasília gravar o programa da Globonews.
   Antes de chegar ao portão, fui comprar água e ouvi gritos do outro lado. Olhei instintivamente e vi que um grupo me dirigia ofensas. O barulho parou em seguida, e achei que embarcariam em outro voo.
   Fui uma das primeiras a entrar no avião e me sentei na 15C. Logo depois eles entraram e começaram as hostilidades antes mesmo de sentarem. Por coincidência, estavam todos, talvez uns 20, em cadeiras próximas de mim. Alguns à minha frente, outros do lado, outros atrás. Alguns mais silenciosos me dirigiram olhares de ódio ou risos debochados, outros lançavam ofensas.
— Terrorista, terrorista — gritaram alguns.
   Pensei na ironia. Foi “terrorista” a palavra com que fui recebida em um quartel do Exército, aos 19 anos, durante minha prisão na ditadura. Tantas décadas depois, em plena democracia, a mesma palavra era lançada contra mim.
Uma comissária, a única mulher na tripulação, veio, abaixou-se e falou:
— O comandante te convida a sentar na frente.
— Diga ao comandante que eu comprei a 15C e é aqui que eu vou ficar — respondi.
   O avião já estava atrasado àquela altura. Os gritos, slogans, cantorias continuavam, diante de uma tripulação inerte, que nada fazia para restabelecer a ordem a bordo em respeito aos passageiros. Os petistas pareciam estar numa manifestação. Minutos depois, a aeromoça voltou:
— A Polícia Federal está mandando você ir para frente.    Disse que se a senhora não for o avião não sai.
— Diga à Polícia Federal que enfrentei a ditadura. Não tenho medo. De nada.
   Não vi ninguém da Polícia Federal. Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor, não chegou até a minha cadeira.
   Durante todo o voo, os delegados do PT me ofenderam, mostrando uma visão totalmente distorcida do meu trabalho. Certamente não o acompanham. Não sou inimiga do partido, não torci pela crise, alertei que ela ocorreria pelos erros que estavam sendo cometidos. Quando os governos do PT acertaram, fiz avaliações positivas e há vários registros disso.
   Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias. Ameaçaram atacar fisicamente a emissora, mostrando desconhecimento histórico mínimo: “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”, berrou um deles. Ela foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas.
   O piloto nada disse ou fez para restabelecer a paz a bordo. Nem mesmo um pedido de silêncio pelo serviço de som. Ele é a autoridade dentro do avião, mas não a exerceu. A viagem transcorreu em clima de comício, e, em meio a refrões, pousamos no Santos Dumont. A Avianca não me deu — nem aos demais passageiros — qualquer explicação sobre sua inusitada leniência e flagrante desrespeito às regras de segurança em voo. Alguns dos delegados do PT estavam bem exaltados. Quando me levantei, um deles, no corredor, me apontou o dedo xingando em altos brados. Passei entre eles no saguão do aeroporto debaixo do coro ofensivo.
   Não acho que o PT é isso, mas repito que os protagonistas desse ataque de ódio eram profissionais do partido. Lula citou, mais de uma vez, meu nome em comícios ou reuniões partidárias. Como fez nesse último fim de semana. É um erro. Não devo ser alvo do partido, nem do seu líder. Sou apenas uma jornalista e continuarei fazendo meu trabalho.

domingo, 11 de junho de 2017

Ramiro Rubim lidera ataque catarinense no Pro/Am de Surf em Matinhos

Ramiro Rubim liderou ataque catarinense em Matinhos. Foto Vinicius Araújo/Mágica Surf
   
   Os surfistas catarinenses se destacaram na disputa do 30 Pés PRO/AM de Surf, maior evento dos últimos anos no Paraná concluído neste fim de semana (3 e 4 de junho) com lotação máxima na etapa válida pela abertura do Circuito Paranaense de Surf 2017. O maior destaque foi o atual campeão catarinense Open, Ramiro Rubim, campeão da profissional.
   Após o adiamento da data original no mês de maio, o evento rolou em dois dias de sol e ondas na Praia Brava de Matinhos. Todas as 152 inscrições disponíveis nas 10 categorias do evento foram preenchidas por 114 atletas de 14 municípios. Além dos paranaenses, um grande número de atletas de Santa Catarina prestigiou o evento, sendo 22 surfistas de oito cidades. Uma verdadeira invasão catarinense, que ficou ainda mais evidente com três representantes saindo campeões na Praia Brava. 

   Matéria completa no Notícias do Mar

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Badesc pratica assédio moral como “instrumento político partidário”, afirma MPT

 

 Pressão nos funcionários para mudarem pareceres e garantir liberação de créditos em operações de “duvidosa legalidade” ou com garantias “insuficientes” para “fins políticos” causaram prejuízos na agência de fomento estadual, segundo documento assinado por procurador do Trabalho e inspeção do Banco Central incluída em auditoria do Tribunal de Contas. Documentos mostram repasses “irregulares” para quatro empresas citadas por servidores que se dizem vítimas dos diretores do banco. Operações financeiras incluem a Construtora Espaço Aberto, líder do consórcio contratado pelo governo do Estado para recuperação da ponte Hercílio Luz até 2014 e que, segundo documento do Ministério Público do Trabalho, ofereceu como lastro para empréstimo de R$ 9 milhões apenas os “recebíveis” do Executivo catarinense. As testemunhas afirmam ainda que nenhuma parcela da dívida foi paga depois do cancelamento de contratos com a empreiteira catarinense.
   
   Lúcio Lambranho
   Funcionários submetidos há mais de 11 anos ao assédio moral e, em pelo menos um caso, danos psicológicos confirmados por perícias médicas. Cinco das vítimas se tornam testemunhas e revelaram os motivos das pressões sofridas no trabalho: serviram para aprovar empréstimos concedidos, mesmo com pareceres e informações financeiras contrárias, a seis empresas catarinenses.
   Quatro destas mesmas empresas aparecem destacadas em uma auditoria do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) e na inspeção do Banco Central do Brasil (Bacen) de 2015, todas beneficiárias de operações de crédito mesmo oferecendo garantias “insuficientes” ao assumirem dívidas na instituição financeira entre 2011 e 2012. Na área trabalhista, a investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT), mesmo sem conclusão desde setembro de 2005, afirma serem práticas com “fins políticos” e executadas por diretores da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A. (Badesc).
   O Farol Reportagem teve acesso a dois documentos oficiais onde os investigadores e auditores narram as irregularidades apontadas pelo MPT e TCE-SC na instituição criada em 1973 com a missão de “fomentar o desenvolvimento econômico e social” de Santa Catarina.

Leia reportagem completa no FAROL






quinta-feira, 8 de junho de 2017

Tribunal de Faz de Contas "pedala" e aprova contas de Colombo

TCE ignora auditoria técnica e aprova contas de Colombo

 Mesmo com “pedaladas” de R$ 470 milhões em 2016 e falta de transparência na renúncia fiscal de R$ 5,4 bilhões, TCE aprova conta de Colombo. Prática também tinha foi verificada nas contas de 2015
   Apesar da área técnica e do relator do caso apontarem “restrições graves”, o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) aprovou nesta quarta-feira (31) por três votos a dois as contas de 2016 do governador Raimundo Colombo (PSD). Como revelou o site com exclusividade no último dia 22, uma das 14 restrições do parecer que pediu a rejeição dos atos administrativos do Executivo estadual é a manobra classificada como “pedalada”. O relator do processo, Luiz Roberto Herbst, mostrou que no ano passado o governo realizou uma indevida classificação contábil de R$ 470 milhões doados pela Celesc e por outros contribuintes ao FundoSocial.
   A mesma “engenharia financeira”, segundo auditoria do TCE-SC, já havia sido usada em 2015 no valor de R$ 615 milhões e reduziu os repasses dos demais Poderes e da Udesc, além de reter R$ 198,9 milhões da participação dos municípios no ICMS. Como o processo que trata das “pedaladas” ainda não foi votado, a restrição perdeu força após a retirada da pauta de julgamento pelo presidente do Tribunal, Luiz Eduardo Cherem, na sessão em que seria votado no dia 15 deste mês. Além do relator, apenas o conselheiro Herneus de Nadal votou pela rejeição das contas.

Leia matéria completa no FAROL

Novo nome da RBS já estava escolhido antes da votação?




NSC, escolhido pelo público, pode não significar Nossa Santa Catarina. Seria a abreviatura de Nancy, Sanchez e Carlos, os irmãos do Grupo NC (Nancy e Carlos)

    Ainda carregando o nome de RBS TV, o Grupo NC, do empresário Carlos Sanchez, que comprou todos os jornais, rádios e emissora de tv da família Sirotsky em Santa Catarina, onde ela reinou durante 38 anos, lançou no dia 3 de maio uma “consulta popular” para escolher o novo nome da emissora.
    Com pompa e circunstância, a ação de marketing envolveu vários profissionais do grupo numa grande campanha de mídia. O jogo era assim: o público poderia votar, durante 13 dias, e escolher entre três opções de nome: DNC, LIG, NSC.
LIG significava “Ligado em Santa Catarina, Ligado em você”. DNC representava o “DNA Santa Catarina, um mosaico cultural de costumes e histórias diversas”. E o nome NSC foi definido como “Nossa Santa Catarina”, uma espécie de Estado-sonho “com mais desenvolvimento, saúde, cultura e educação, que ao crescer eleva o seu povo”.
    No dia 15 de maio, depois de duas semanas de campanha maciça na rede de tv e em todos os quatro jornais, três emissoras de rádio e plataformas digitais do grupo foi anunciado o nome NSC como o vencedor. Teria conquistado 66,28% dos votos do público. “O novo nome da emissora será a cara dos catarinenses. NSC representa a Nossa Santa Catarina”, anunciaram.
    Tudo muito bonito, se não fosse uma grande dúvida. O nome NSC já estaria definido antes pelo novo dono, e a campanha teria sido feita apenas como estratégia de marketing para “motivar a participação” do público.
 

 Leia matéria completa no Bom Dia Floripa

sexta-feira, 2 de junho de 2017

BOB DYLAN















por Emanuel Medeiros Vieira

Ah, Deus disse a Abraão “Mate um filho para mim”/O cara diz  “Meu, você deve estar de sacanagem”/Deus diz “Não”. O cara diz “Como é que é?”/Deus diz “Pode fazer o que quiser, meu chapa, mas/ Na próxima vez que você me vir chegando, melhor correr”/Então o cara diz “Onde é que você quer essa morte?”/Deus diz “Lá na Estrada 61
(Bob Dylan - “Estrada 61 Revisitada” – ‘Highway 61 Revisited”)

   Tomando como base, letristas/compositores nascidos a partir de 1940 (como referência simbólica) creio que Bob Dylan é o que alcança as maiores alturas (junto com Lou Reed –1942-2013 –, também de grande densidade e profundidade).
    (Quando aparece “na minha frente” alguma dupla de sertanejos ditos universitários, chego a sentir um calafrio de horror, pela pobreza indescritível das letras, a idiotia e a mediocridade que representam. com suas botas texanas, sejam homens ou mulheres.)
   
   Isso num país que deu Cartola (1908-1980), Pixinguinha (1897-1973), Lupicinio Rodrigues (1914-1974), Geraldo Vandré (1935, Sidney Muller (1945-1980), Belchior (1946-2017).
   Hoje pouco lembrado, Sidney Muller é o criador da belíssima canção “A Estrada e o Violeiro”, e de “Pois É, Pra quê?”.
   Não falo, é claro, de Tonico (1917-1994) e Tinoco (1920-2012), de Renato Teixeira (1945), de Almir Sater (1956), de Sérgio Reis (1940) e outros, que engrandeceram o nosso cancioneiro dito sertanejo. Mais do que isso: universal.
   
   Sim: Dylan também é escritor.
   
   Publicou livros de poesia, letras de músicas e um de ficção (“Tarântula”), além de suas memórias em “Crônicas Volume 1” (2004).
    Dylan tornou-se  figura  célebre da música popular americana e da cultura musical com canções como Blowin’ in the Wind, The Times They are A- Chagin, A Hard Rain’s A-Gonna Fall, All Along the Watchtower, Tambourine Man e Like a Rolling Stone, compostas nos anos 60, “com conexões com os movimentos de protesto contra Guerra do Vietnam”, como lembrou Hagamenon Brito.
   A força de suas letras, foi percebida “muito acima dos seus limites tradicionais” (escritas  quando ele tinha pouco mais de 20 anos) – falo nas contidas no livro.
   Foi acompanhando as mudanças e tormentos deste mundo, desde jovem até agora – aos 76 ano. 
 
    Socorro-me de Caetano W. Galindo, que traduziu o livro de 640 páginas “Letras (1961-1974”) ––o primeiro de dois volumes : “A concessão do prêmio Nobel de Literatura a Bob Dylan certamente contribuirá bastante para as velhas discussões quanto ao estatuto literário da canção. Ou, no que mais nos interessa aqui, quanto ao estatuto literário da letra da canção, separada de melodia, harmonia, ritmo, produção, performance.” (...)  
   Cantor e letrista rebelde ou de “protesto”, na maturidade buscando captar (descobrir?) a essência do SER, Bob Dylan sempre foi fiel a si mesmo, também cantando as letras de outros autores e músicos.

   A gente sente um caráter “oral”, escutando Dylan: “Tudo (...) imerso no que eu chamaria de um oralidade sofisticada, que faz com que, mais que cantadas, suas letras pareçam, faladas, mesmo em livro” (Caetano Galindo).
E acrescenta o tradutor: “Dylan, ao longo das duas décadas aqui retratadas (ele fala sobre o volume citado), não escreve canções com vozes diferentes, com textos que vão do folk à retórica neopentecostal;  ele mistura esses registros no mesmo texto. Do inglês de rua à elevação bíblica, dos poetas Beat a Dante Alighieri, da prosa ao verso mais evocativo, das cadências mais constante ao discurso espraiado”. (...) 
   Mesmo que pareça muito genérico (ou puro lugar-comum) o que vou escrever, creio que em toda a sua vida, Bob Dylan refletiu intensamente sobre os conflitos de nossa geração, a impotência em relação ao espírito bélico, às guerras e outras desgraças da modernidade (ou a tragédia de todos os tempos).

   E - ouso dizer - no sentido metafísico -, que ele meditou com incrível profundidade (que a “simplicidade” de algumas letras engana), sobre a nossa humana condição (finita).
   Com sua voz roufenha e, segundo alguns, de “dicção difícil”, ele foi atravessando os tempos.
   Como na epígrafe do meu texto, ele discute a relação do homem com o Divino e a recusa do de nós todos a certos desígnios: como pode Deus querer que alguém entregue o seu filho à morte?
   Precisaria aprofundar muito mais. Mas ficaria cansativo.
   Só proclamo: Longa vida, Bob Dylan!
   Saudades, Lou Reed!
   Estrela Elis Regina: “és para sempre”!*

*Também foi lançado o primeiro disco triplo da carreira de Bob Dylan: “Triplicate” (que ainda  não pude adquirir).
Alguém comentou: conhecíamos o Bob Dylan “o inovador”, “o cantor de protesto”. Recentemente, segundo Agamenon Brito, “passamos a conhecer, também, Dylan,’o cronner’ admirador de Sinatra”.  (...)



(Salvador, maio e junho de 2017)
.

Luiz Fernando Cabeda deixou um novo comentário sobre a sua postagem "BOB DYLAN":

Ótimo texto para permitir o entendimento do Nobel atribuído a Dylan, pois muita gente não entendeu.
Se fosse admitido que o prêmio é atribuído por pessoas que se qualificam por considerarem tudo o que diz respeito ao valor literário, então as defecções de Borges, Pessoa e outros insuperáveis não teriam ocorrido.
Mas não é assim: situações conjunturais pesam muito. Políticas de 'integração' prevalecem. Desde os remotos tempos da civilização sabe-se o valor da cerimônia, o quanto ela conta também como valor de compromisso.

Parece que foi Elie Wiesel, um nobelizado, que disse terem sido os judeus os primeiros e verdadeiros europeus, pois quando o sentimento de pátria era exacerbado e excludente eles viviam em todo o continente como 'em sua casa'.
Não se pode dizer o quanto o fato de ser judeu - culturalmente falando - não responde significativamente pela trajetória e pela premiação de Dylan. Ele adotou muitos movimentos políticos para uma trajetória offsider, desde os remotos tempos da contra-cultura, nas então conhecidas como 'músicas de protesto'.
Naquele tempo bem mais apreaciada era Joan Baez, injustamente esquecida, com quem Dylan esteve casado.
No entanto, ele é que foi capaz de persistir, com sua voz anasalada e (para muitos) desagradável, mas que se fez intérprete de uma elaboração temática e de estilo que remontava aos beatniks, depois aos off roads e finalmente algo também de Nashville.

A 'desenvoltura' de Dylan, fazendo das sucessivas tendências 'a sua casa', evitou que incorresse no erro desastroso de Borges, por exemplo, que nunca negou simpatia pelos regimes de Pinochet e Videla. Explicar que isso fazia parte da "história do ressentimento' é muito difícil; na verdade, Borges havia sofrido o esmagamento do peronismo onipresente e avassalador. Mas essa circunstância era inexplicável em uma Suécia então cheia de exilados chilenos e argentinos.

Janer Cristaldo gostava de satirizar as escolhas do Nobel. Em muitos casos, foi feliz, como na de Rigoberta Menchú, que acabou confessando - depois de irretorquivelmente descoberta em sua fraude - ter falsificado a biografia, como resistente indígena na Guatemala e sobrevivente de uma repressão trágica, que lhe acedeu o prêmio.

Isto tudo é uma história paralela.
O importante é que Emanuel Medeiros Vieira tenha produzido um belo texto, de acordo com teu gosto e sensibilidade.
 

Quanto aos sertanejos, talvez alguém os relacione - como é tão óbvio - a uma transferência de riqueza para o centro-oeste, notadamente Goiás, que hoje é um Estado rico e próspero (em contrário ao decadente e orgulhoso RGS), em que a participação no produto social, o gozo do lazer, o acesso à lascívia, tinham de ser construídos fora da 'cultura de praia', cuja hegemonia já apresenta algum cansaço.

LUIZ FERNANDO CABEDA